segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

"A Inteligência do casamento V - O perfil do homem ideal"

Artigo de André Soares - 04/12/2017


Ao reiterar veementemente a verdade inconteste que “casamentos não dão certo, nem mesmo por amor”, não significa, em hipótese alguma, que este autor esteja fazendo apologia contra o casamento. Absolutamente! Até porque outra das verdades inexoráveis sobre o casamento, que também venho alardeando, é que “casamentos são inevitáveis”. Contudo, a absoluta maioria das pessoas, principalmente as mulheres, persiste no grave erro de fugir da realidade dos fatos, que comprovam inquestionavelmente que o fracasso é a regra geral em cerca de 95% dos casamentos, se autoenganando que o seu casamento será bem-sucedido, quando também incorrem nas mesmas falhas dos casamentos fracassados. Nesse sentido, muitos são os erros e equívocos cometidos por homens e mulheres que levam ao insucesso no casamento. E aqui vou destacar um gravíssimo deles, que é cometido exclusivamente pelas mulheres. Trata-se do perfil do homem ideal, cujo modelo é universalmente idealizado pelas mulheres na atualidade.

O perfil do homem ideal, universalmente idealizado e desejado pela equivocada mentalidade feminina dos dias atuais, pode ser sintetizado no principal “clichê” que é o preferido das próprias mulheres: “Eu quero um homem que me SURPREENDA! SEMPRE!”

Segundo as mulheres, isso pode se dar até mesmo nos pequenos detalhes do cotidiano. Mas, a regra fundamental é ela ser surpreendida SEMPRE, inclusive no sexo. Aliás, quanto ao sexo, vale destacar que o casamento acaba quando acaba o sexo. Ponto final. Mas, isso não significa que o casamento acaba quando os casais deixam de transar. Significa que o casamento acabou quando acabou o sexo prazeroso. E o sexo prazeroso no casamento sempre acaba muito antes de se findarem as relações sexuais entre os cônjuges; que normalmente prosseguem ainda por bastante tempo, numa interminável “tortura” para ambos.

E como surpreender sexualmente uma mulher no casamento?
Resposta: Em síntese, significa fazer de tudo, e sempre de formas diferentes. Afinal, se não for assim ela não será surpreendida SEMPRE, não é mesmo? Mas tem um importante detalhe sexual: “fazer de tudo” para as mulheres no casamento significa fazer tudo o que ela gosta; conquanto isso não signifique que necessariamente a recíproca será igualmente verdadeira para os homens. E que isso fique bem claro.

E quais são os outros atributos do modelo universal do perfil do homem ideal, idealizado pelas mulheres contemporâneas?
Resposta: Infindáveis. É isso mesmo! A relação de atributos do perfil do homem ideal das mulheres não tem fim. Mas, podem ser todos eles definidos e compreendidos pela “Teoria Paradoxal Feminina”, que desvela a complexidade da natureza contraditória da personalidade das mulheres, na qual seu comportamento invarialvemente sempre oscila entre extremos opostos.

Em se tratando do perfil do homem ideal, significa que as mulheres desejam um homem que seja ora de um jeito, ora o seu oposto. Por exemplo: as mulheres querem um homem que seja:
  • Poderoso, mas também sensível;
  • Forte, mas também frágil;
  • Talentoso, mas também desajeitado;
  • Criativo, mas também prático;
  • Viril, mas também um “homem feminino”;
  • De caráter, mas também cafajeste;
  • Inteligente, mas também idiota;
  • Genial, mas também corriqueiro;
E assim por diante...

Todavia, é imperioso destacar ainda que “Teoria Paradoxal Feminina” explica que esse comportamento contraditório das mulheres segue um padrão, de tal forma que quando os homens assumem algum dos atributos do perfil desejado por elas, automaticamente elas mudam para o seu extremo oposto, numa oscilação interminável. Esse fenômeno psicossocial que rege o comportamento feminino hodiernamente é a razão pela qual invariavelmente as mulheres se mostram eternas insatisfeitas, não apenas no casamento, mas com tudo e todos. Não há exceção nem mesmo para as mulheres consideradas bem-sucedidas por terem conseguido se casar e viver às custas de homens-provedores ricos. Estas, em geral, são as que silentemente mais reclamam e odeiam seus maridos.

Portanto, só existe um tipo de homem na face da terra capaz de satisfazer, mesmo que temporariamente, a obsessão que as mulheres têm de serem SUPREENDIDAS: os mágicos. E, mesmo assim, por pouco tempo, enquanto durarem seus truques, é claro! Brincadeiras à parte, a verdade simples e objetiva é que as mulheres do século XXI estão insatisfeitas e reclamando compulsivamente dos homens no casamento, por não encontrarem neles o perfil de homem ideal que foi equivocadamente concebido por elas. Isso porque esse perfil é escancaradamente irreal e impossível. E não apenas porque os homens não são assim. Porque simplesmente não existe ser humano no mundo, homem ou mulher, que assim o seja.

A boa notícia é que, ao contrário do que as próprias mulheres possam imaginar, existe de fato o verdadeiro perfil do homem ideal, capaz de fazer uma mulher feliz, em todos os sentidos, e de viver um casamento e uma vida familiar plena de prosperidade para todos. Os seletivos homens que possuem esse perfil certamente já cruzaram o destino de muitas das insatisfeitas mulheres do século XXI, que indubitavelmente perderam a maior oportunidade de felicidade de suas vidas. Porque acham que sabem escolher um homem de verdade, quando ainda não sabem sequer separ o mundo real da "ilha da fantasia".

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

livro "ENTREVISTA OPERACIONAL - A entrevista da vida real"


 
                     R$ 20,00



O livro "ENTREVISTA OPERACIONAL - A entrevista da vida real" é uma obra inédita, de autoria do Tenente Coronel André Soares (autor do livro "Ex-agente abre a caixa-preta da ABIN"), que desenvolveu essa doutrina para o emprego operacional dos Agentes Secretos, a qual é determinante no cumprimento exitoso de suas perigosas missões sigilosas.
Entrevista Operacional desenvolve em seus protagonistas uma personalidade forte e dominante, atuando em todo e qualquer meio social, demandando um enorme poder de liderança sobre todas as pessoas, no sentido de conduzi-las a comportamentos predeterminados.
Entrevista Operacional pode ser definida como sendo “a entrevista da vida real”, porque pode ser empregada por qualquer pessoa, em qualquer situação ou circunstância, representando o ápice do autoconhecimento e auto-aperfeiçoamento.

Esta obra é de especial interesse
Para todas as pessoas e a sociedade brasileira.
Esta obra é recomendada
Para os governantes e autoridades responsáveis pelo controle e emprego da atividade de Inteligência no país. Aos servidores públicos, como membros do Ministério Público, promotores, magistrados, policiais, militares, delegados, agentes, advogados, psicólogos, gestores públicos, dentre outros.
Esta obra é obrigatória
Para dirigentes, diretores, coordenadores, analistas, operadores e demais integrantes dos sistemas de inteligência do país.
Saiba mais sobre o livro.

livro "LIDERANÇA OPERACIONAL - A liderança dos Agentes Secretos"


           R$ 15,00



O livro "LIDERANÇA OPERACIONAL - A liderança dos Agentes Secretos" é uma obra inédita, de autoria do Tenente Coronel André Soares (autor do livro "Ex-agente abre a caixa-preta da ABIN"), que desenvolveu essa doutrina fundamentada nos conhecimentos que demandam o avassalador poder de liderança dos Agentes Secretos, atuando em todo e qualquer meio social.
Liderança Operacional pode ser empregada por qualquer pessoa, em qualquer situação, ou circunstância da vida real; representando o ápice do autoconhecimento e auto-aperfeiçoamento.
Esta obra é de especial interesse para os governantes, dirigentes e pessoas que exerçam cargos de chefia e liderança.
Esta obra é recomendada a todas as pessoas e à sociedade brasileira.

Esta obra é obrigatória para Agentes Operacionais (agentes secretos) de serviços secretos.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Download gratuito do Livro “MULHER OPERACIONAL - O perfil da mulher Agente Secreto”

Para fazer o download gratuito do Livro “MULHER OPERACIONAL - O perfil da mulher Agente Secreto”, de autoria de André Soares, cadastra-se no site Inteligência Operacional, no menu LOGIN (aba à direita do site), em http://www.inteligenciaoperacional.com/

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A caixa-preta da ABIN e o STF



A caixa-preta da ABIN e o STF
Artigo de André Soares 29/06/2017
 

A recente denúncia da revista VEJA sobre o emprego da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) pelo governo Temer, para investigar o ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator da Operação Lava-jato; que foi veementemente condenada pela presidente do STF ministra Cármen Lúcia, pelo procurador-geral da República (PGR) Rodrigo Janot, bem como por insignes entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a própria Associação dos Servidores da ABIN (ASBIN); traz à baila a recidiva das clandestinidades da invencível caixa-preta da ABIN, notadamente sobre a Suprema Corte do país.

Os desvirtuamentos da ABIN, a exemplo dos protagonizados na Operação “Satiagraha” em 2008, constituem os mais escabrosos atentados da história perpetrados por serviços de inteligência contra o próprio estado. Se cometidos nas principais potências mundiais, seus dirigentes teriam sido condenados à prisão perpétua ou à pena capital. Não por acaso, seus diretores-gerais foram exonerados da função por envolvimento da agência em gravíssimas obscuridades, estranhamente nunca apuradas. Compreende-se então porque a ABIN goza de péssima reputação no âmbito da comunidade internacional dos serviços de inteligência, razão pela qual Carlos Costa, chefe do FBI no Brasil por quatro anos, sentenciou publicamente: “...a ABIN é uma agência de inteligência que se prostitui...”.

Como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), causa enorme perplexidade a assombrosa ineficiência da ABIN no cumprimento de sua precípua missão institucional, pela sua total incapacidade de antecipar graves ameaças e contingências nacionais, não tendo detectado nem mesmo a monstruosidade dos crimes do “mensalão”, “petrolão” e da operação “Lava-jato”. Consequentemente, a degenerescência da ABIN, aliada ao seu total descontrole por parte do estado, juntamente com a absoluta impunidade de sua cúpula, somada à sua completa ineficiência em defender o país da ação de seus inimigos, são a causa principal do caos de corrupção generalizada que vitima o Brasil na atual conjuntura, dentre outros flagelos.

A verdade é que o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) ressuscitou no Brasil a degenerescência do Serviço Nacional de Informações (SNI), criando a ABIN, pela Lei 9.883, de 7 de dezembro de 1999, com amplos poderes como órgão central do SISBIN, e entregando o seu comando a uma inescrupulosa “comunidade de inteligência”, completamente acima da lei no país. Ou seja: um suicídio pátrio anunciado.

Isso porque, em todo o mundo, os serviços secretos são as instituições mais poderosas e corruptíveis do estado, cujo desvirtuamento é fatídico à nação. É por esse motivo que os países desenvolvidos submetem rigorosamente seus serviços secretos ao estado democrático de direito, exercendo o controle cerrado sobre suas atividades, especialmente as operacionais, e punindo exemplarmente quaisquer desvios e ilicitudes.

No Brasil, ressalta-se que a descoberta de todas as clandestinidades da ABIN decorreu exclusivamente de denúncias da mídia, nunca da eficiência dos órgãos responsáveis pelo controle de suas atividades, como a Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional (CCAI), os Poderes Executivo e Legislativo, o Ministério Público, os Tribunais de Contas, a Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional, e a Secretaria de Controle Interno da Presidência da República (CISET).

Destarte, com a caixa-preta da ABIN incólume ao Estado de Direito, nossos governantes se tornaram suas vítimas, principalmente os ministros do STF, como vem sendo denunciado à exaustão e de longa data, tanto pela grande mídia nacional, como pelos próprios ministros da Suprema Corte.

Por que o STF é o principal alvo da arapongagem oficial? Porque a Suprema Corte comanda o único Poder da República que não se desvirtuou ante esse estado de coisas, tendo condenado corajosamente a ABIN, em 2015; a qual já havia sido condenada anteriormente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2011; cuja hedionda atuação criminosa na “Satiagraha” foi assim descrita pelo Exmo Sr Ministro Adilson Vieira Macabu (Habeas Corpus 149.250 – SP): “Jamais presenciei, eminentes Ministros, ao defrontar-me com um processo, tamanho descalabro e desrespeito a normas constitucionais intransponíveis e a preceitos legais".

Mais estarrecedor é testemunhar no Brasil, país em que até presidentes da república são celeremente denunciados à justiça para apuração de eventuais ilicitudes, que a cúpula da ABIN se regozija em abençoada impunidade por seus crimes na “Satiagraha”, apesar de já condenados no STF, cujos dirigentes responsáveis não foram sequer denunciados.

Portanto, que os ilustres ministros do STF não se deixem enganar. Pois, nesse contexto caótico, a Suprema Corte é a única ameaça institucional no país ao projeto de poder criminoso da “comunidade de inteligência” que governa os serviços secretos no Brasil. Significa que o STF corre risco real muito mais gravoso que a instalação de grampos telefônicos e escutas ambientais em seus gabinetes. Importa dizer, por derradeiro, que não fosse o trágico “acidente” da morte do ministro do STF Teori Zavascki,em janeiro deste ano, dificilmente o eminente relator da Operação Lava-jato escaparia da fúria da “comunidade de inteligência” que o caçava impiedosamente.E que Deus proteja a Suprema Corte!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Mensagem aos jovens IV - O colapso do Brasil - II

Artigo de André Soares - 04/06/2017

 



Que o Brasil é um país escabrosamente corrupto, só a sociedade brasileira finge desconhecer. Afinal, como é notório: “o pior cego é aquele que não quer ver”. E, mesmo agora, quando a comunidade internacional se estarrece ante ao Brasil protagonizando o maior escândalo de corrupção mundial, infelizmente a sociedade continua “cega”, não querendo ver a realidade. Qual? Que, ao ponto a que chegamos, o gravíssimo estado de corrupção nacional é irreversível.

O colapso generalizado do estado brasileiro da atual conjuntura, especialmente quanto à corrupção, é absolutamente análogo a uma metástase cancerígena em fase terminal: não tem cura. Teria se a sociedade, a exemplo do paciente consciente e responsável, tivesse iniciado agressiva quimioterapia a esse estado cancerígeno tão logo ele se iniciou. Ou seja, há alguns séculos. Porque verdades sejam ditas: a corrupção endêmica no Brasil vem desde a formação da sua nacionalidade, incorporou-se ao seu DNA e racionalizou-se no abjeto orgulho nacional do “jeitinho brasileiro”, razão pelo qual nosso país é alcunhado internacionalmente pelo conhecido rótulo depreciativo: “o Brasil não é um país sério”.

Nesse sentido, importar ressaltar a máxima do grande filósofo que professa sabiamente que “cada povo tem o governo que merece”. Porque outra verdade a ser dita é que o colapso de corrupção nacional não é culpa dos governantes, políticos e empresários, mas sim o reflexo cristalino da sociedade brasileira que legitimamente os elegeu e os empoderou. Portanto, o Brasil é um país escabrosamente corrupto porque a sua sociedade assim o é. Exceções há, conquanto sejam raríssimas e inexpressivas, razão pela qual o impacto de suas atuações em âmbito nacional equivale ao combate de câncer com aspirina.

Com efeito, a leviandade estatal está escancaradamente institucionalizada, e graças ao desvirtuamento dos servidores públicos e privados, em todos os níveis, principalmente dos investidos em cargos de comando, direção, ou chefia; seja por participação como corruptores; seja por conivência, cuja omissão ante esse estado de coisas os faz tão corruptos quanto os primeiros.

Como verdades assim são insuportavelmente dolorosas, a reação psicológica imediata da sociedade é a “negação”, se autoenganando com a ilusão de um final feliz. Ou seja: que a atual crise é passageira, que a operação Lava-jato extirpará a corrupção no país, e que brevemente o Brasil será próspero. Ledo engano! Pois, assim como na metástase terminal, na qual ocorrem breves períodos de aparente melhora do paciente, o seu agravamento e óbito são inexoráveis.

E os fatos falam por si. Afinal, a operação Lava-jato, que se esperava célere e instaurada para apurar especificamente os crimes do “Petrolão”, já comemora três anos, com a incrível média ao longo desse período de no mínimo um escândalo nacional por semana, extrapolando em graves e intermináveis desdobramentos de investigação nas mais ingentes instituições do setor público e privado; com o envolvimento direto de sucessivos presidentes da república, numa avassaladora demanda criminosa que vai muito além da deficiente e também corrupta capacidade de investigação estatal.

Aí está a “metástase” terminal do Brasil, cujo óbito se dará por “falência múltipla dos órgãos”. E ainda mais doloroso é saber que o país poderia ter evitado a sua tragédia. Portanto, enquanto o Brasil tiver uma sociedade medíocre e corrupta, terá falecido o seu projeto de um país ordeiro e próspero, destinado a ladear junto às principais potências mundiais, tal qual tremula em nossa bandeira nacional. O que restará? O Brasil da atual conjuntura: um país agonizante, à espera de salvadores da pátria. Ou, como bem disse Bertolt Brecht: “Infeliz a nação que precisa de heróis!”.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A Lealdade

Artigo de André Soares 26/05/2017



Todo cidadão ao incorporar às fileiras das forças armadas, em cerimônia solene perante a bandeira nacional, jura lealdade à pátria, de viva voz, em alto e bom som, prometendo defendê-la com o sacrifício da própria vida. Aliás, seria de bom alvitre que esse juramento fosse estendido inclusive a todos os cidadãos, homens e mulheres. Porque a defesa da pátria é dever de todos, não apenas dos militares. De toda forma, todas as pessoas, de alguma maneira, ao longo de suas vidas, juram lealdade a alguém ou alguma coisa: seja a uma ideologia, entidade, profissão, cônjuge, amigo, amante, religião, e indubitavelmente a maioria das pessoas jura lealdade a Deus. Mas, em absolutamente todos os casos, para a avassaladora maioria das pessoas, isso não é verdade.

Perguntar-se-ia, então: Onde encontraríamos um perfeito exemplo de lealdade?
Certamente o mundo cristão bradaria em uníssono: “Na história bíblica de Abrahão que, a mando do Senhor, se predispôs a matar o próprio filho para provar seu juramento de lealdade a Deus”. Todavia, ao contrário, esse é um exemplo de deslealdade. Tanto por parte de Abrahão, quanto de Deus. Isso porque se Abrahão demonstrou sua lealdade a Deus, por outro lado certamente foi desleal para com seu próprio filho. 
Verdade seja dita:
_ “Quem gostaria de ter um pai desses?”.

No caso do Senhor, a situação é ainda pior e com agravante. Porque, na condição de Deus, foi duplamente desleal: para com Abrahão e principalmente para com o filho dele. 
Verdade seja dita:
_ “Que pai gostaria de ter um Deus que lhe manda matar o próprio filho, e ainda por mero capricho, ou insegurança?”.
_ “Que filho gostaria de ter um Deus que manda seu próprio pai lhe matar, e ainda por mero capricho, ou insegurança?”.

Mas, o que é lealdade?
Lealdade é o atributo que designa alguém que é digno de confiança, que cumpre suas obrigações e não falha com os seus compromissos, demonstrando responsabilidade, honestidade, retidão, honra e decência. Pessoas leais são pessoas de caráter.
Perguntar-se-ia, novamente: Onde encontraríamos um perfeito exemplo de lealdade?
Resposta: Na Guerra.

É na guerra e somente na guerra que se encontram verdadeiramente as pessoas de caráter. E somente quem esteve lá sabe disso. Assim, a absoluta maioria dos juramentos de lealdade, sejam quais forem, não são verdadeiros. Podem, eventualmente, até serem sinceros, de boa vontade. Mas continuam não sendo verdadeiros. Porque quando colocados à prova, em situações de adversidade, a esmagadora maioria das pessoas foge covardemente ao compromisso anteriormente assumido.
É por isso que as pessoas se decepcionam com o outro frequentemente durante toda a vida. Porque se iludem julgando que conhecem as pessoas e sabem escolher aquelas em quem confiar. Todavia, nos momentos adversos, a maioria sempre se revelará pela traição. Porque as pessoas de caráter são raríssimas: verdadeiros “diamantes de sangue”.
Quer se juntar a elas?
Agora, você já sabe onde: na Guerra.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Grampo telefônico e delação premiada

Artigo de André Soares 25/05/2017




Grampo telefônico e delação premiada são denominações impróprias para designar instrumentos de investigação cuja importância é indevidamente maximizada no Brasil, quanto ao seu emprego e valor probatório. Tal situação avulta de importância porque na atual conjuntura estão no epicentro das investigações da Operação Lava-jato que apura a avassaladora corrupção nacional, sem precedentes no mundo. Portanto, urge à sociedade conhecer suas limitações e vulnerabilidades, para conduzir ao seu melhor emprego.

Vulgarmente conhecido por “grampo telefônico”, destaca-se ser esse termo pejorativo de todo justificado. Porquanto o seu emprego está fortemente influenciado pela herança maldita do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), que o empregava precipuamente para perseguir opositores do regime militar. Por essa razão, o grampo telefônico foi proibido com o fim dos governos militares, e renascido clandestinamente pela comunidade desempregada do SNI que o disseminou criminosamente pelo país, especialmente em espionagem política e econômica.

A interceptação telefônica foi reinstituída pela lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, com o propósito de se contrapor ao recrudescimento do crime organizado no país. Todavia, o que se viu foi a inauguração da “grampolândia” brasileira, cujo desvirtuamento tomou proporções extremas, notadamente nos crimes da “Operação Satiagraha”, em 2008, perpetrados pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), cuja cúpula permanece em completa impunidade.

Agrava-se esse quadro visto que o valor probatório da interceptação telefônica, ao contrário do que se imagina, é muito limitado. Porque, em termos jurídicos, numa ação penal, esse instrumento prova apenas que alguém disse algo sobre um determinado fato. Mas não prova que esse fato seja verdadeiro, ou que tenha acontecido, ou que alguém o tenha realizado de fato.

Imagine-se, por exemplo, que alguém é flagrado numa interceptação telefônica tratando sobre um roubo a banco, um assassinato, etc. Se, posteriormente, esse crime se efetivar; a interceptação, por si só, prova juridicamente apenas o que esse alguém disse; mas não prova que o tenha cometido. Portanto, em termos reais, a maior importância da interceptação telefônica está em subsidiar elementos informacionais para a consecução de outras ações investigativas e policiais mais efetivas.

Destarte, a recente descoberta do grampo clandestino realizado pela Polícia Militar do estado de Mato Grosso contra diversas autoridades é mais uma escabrosa constatação da “grampolândia” brasileira, cujo “modus operandi” criminoso vem sendo perpetrado pelos governantes e autoridades públicas há décadas.

A colaboração premiada, vulgarmente conhecida por “delação premiada”, foi instituída mais recentemente pela lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013. Sobre a legitimidade do seu emprego e valor probatório, conquanto ainda seja insipiente no país, já há críticas severas de renomadas autoridades quanto ao seu mau uso.

Contudo, importa registrar uma característica peculiar ao instituto da colaboração premiada que é extremamente nefasta ao estado: a necessidade de negociar com criminosos e organizações criminosas (ORCRIM). Negociação esta que pode inclusive lhes proporcionar o perdão judicial ou impunidade pelos graves crimes cometidos contra o estado e a sociedade, como já vem ocorrendo na Operação Lava-jato.

Pergunta-se: É justo e ético, por parte de um estado soberano, perdoar ou premiar criminosos e ORCRIM pelos graves crimes perpetrados por eles contra o próprio estado e a sociedade?

Resposta: Não! Porque um estado soberano e forte não negocia com criminosos e ORCRIM. Ao contrário, os pune rigorosa e exemplarmente. A não ser que esse estado não seja tão forte e soberano assim!

Aqui se insere o aspecto mais preocupante e vulnerável ao estado em relação à colaboração premiada. Porque a sua adoção é diretamente proporcional à fragilidade estatal. Ou seja, quanto pior for a capacidade de investigação do estado, maior será a sua dependência à colaboração premiada de criminosos e ORCRIM para a elucidação de crimes; chegando-se ao ponto do estado tornar-se refém, quando de sua total incapacidade. Por isso, é um perigoso engodo a celebração da proliferação de colaborações premiadas que se verifica no país. Porque um estado eficiente evitará ao máximo fragilizar-se ao emprego desse instrumento.

A verdade é que o colapso brasileiro não é apenas político-partidário, psicossocial e ético-moral, mas também institucional, face à falência dos órgãos responsáveis pela proteção do estado, cuja prova cabal é assombrosa corrupção a que chegamos. Nesse mister, destaca-se causar profunda perplexidade a escabrosa ineficiência da ABIN em sua missão precípua de identificar ameaças ao estado, mas que estranhamente, ao longo de sua história, nunca informou as mais graves contingências sofridas no país, menos ainda sobre o caos de corrupção objeto da operação Lava-jato.

Portanto, o Brasil necessita urgentemente cumprir sua missão constitucional de ser um estado eficiente, com instituições competentes no desempenho de suas atividades-fim, para fazer frente à criminalidade organizada. Caso contrário, se tornará em breve o país onde o crime compensa e o paraíso dos criminosos.



terça-feira, 23 de maio de 2017

O "mal do século"

Artigo de André Soares 23/05/2017


Embora a maioria desconheça, estamos vivendo na atualidade a "crise do século XXI", ou "mal do século",que é a pandemia de doenças e transtornos mentais, cuja projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê se tornar até 2030 a patologia mais prevalente no planeta, a frente do câncer e algumas doenças infecciosas. Estresse, ansiedade, fobias, bipolaridade, depressão, assédio moral, “bullying”, síndrome do pânico, dentre outros, fazem parte do inevitável coquetel de problemas psicológicos da vida moderna, que estão lotando os consultórios psicológicos e psiquiátricos, cada vez mais repletos de homens, mulheres e crianças fragilizados e doentes da psique.  Em termos práticos, significa que se ainda há quem não tenha sido acometido por pelo menos alguma dessas doenças, no futuro próximo certamente será.

Assim, a pergunta crucial é: “Por que a humanidade está adoecendo gravemente psíquica e espiritualmente?”. Resposta: Por causa do exponencial desenvolvimento científico-tecnológico. Portanto, vivemos os males de um terrível paradoxo: o desenvolvimento científico-tecnológico, que tantos benefícios vêm trazendo à humanidade, é também a principal causa do "mal do século”. E, agora, vem o mais assustador: quanto maior for o desenvolvimento científico-tecnológico pior será essa pandemia. Em síntese, significa que o "mal do século" pode destruir a humanidade.

Tudo isso pode parecer um enorme absurdo, ou uma piada de mau gosto; e seria ótimo que fosse. Mas, não é. Assim, para sobrevivermos à "crise do século XXI", precisamos inicialmente compreender esse fenômeno patológico, para posteriormente sabermos enfrentá-lo. Para conhecer a sua gênese é necessário relembrar os ensinamentos de Charles Darwin, cuja “Teoria Evolucionista” demonstra sobejamente que a “evolução das espécies” contempla exclusivamente os indivíduos mais fortes e melhor adaptados às ameaças e adversidades do seu meio ambiente.

E, nesse sentido, ao longo da história, a humanidade vem fazendo exatamente o contrário da “Teoria Evolucionista”. Explica-se: o extraordinário e crescente desenvolvimento científico-tecnológico vem evidentemente beneficiando a vida humana, em todos os sentidos. Consequentemente, as pessoas vão ficando cada vez mais protegidas contra as adversidades e ameaças da vida, ao mesmo tempo em que também vão ficando cada vez mais seduzidas e dominadas pelas irresistíveis facilidades e comodidades da vida tecnológica. Afinal, a vida humana vai ficando cada vez mais fácil a cada dia, não é mesmo?

Por outro lado, é exatamente a crescente eliminação ou minimização de adversidades e ameaças à vida humana que, em contrapartida, faz com que as pessoas fiquem gradativamente cada vez mais fracas e despreparadas, justamente porque, na ausência de contingências, o indivíduo não se fortalece. Ou seja, a acomodação às benesses do desenvolvimento científico-tecnológico está “atrofiando” a humanidade, não apenas no corpo, mas principalmente na mente e espírito.

Um surpreendente exemplo desse terrível paradoxo é a longevidade humana na atualidade, cuja expectativa de vida aproxima-se rapidamente dos 80 anos no Brasil, valendo lembrar que na pré-história os hominídeos viviam cerca de 30 anos. Ressalta-se que os hominídeos eram muito mais fortes que homem atual, não apenas fisicamente, mas também bio-fisiologicamente. Isso porque o expressivo aumento da expectativa de vida, diferentemente do que se imagina, não se deveu ao fortalecimento da bio-fisiologia humana que, ao contrário, se enfraqueceu. Mas, sim, ao vultoso desenvolvimento científico-tecnológico, notadamente da medicina, cujos recursos, técnicas cirúrgicas e principalmente medicamentos vêm possibilitando o prolongamento da vida humana, de forma eminentemente artificial. Portanto, sem os recursos da medicina e em condições idênticas de sobrevivência, a expectativa de vida do homem atual seria inferior a dos hominídeos.

O fato é que a humanidade está vivendo artificialmente cada vez mais, mas não necessariamente melhor, no que se refere à psique. E o “mal do século” é a prova cabal disso, demonstrando que o enfraquecimento progressivo do ser humano o está conduzindo ao sofrimento psíquico por tudo e por qualquer coisa, aterrorizando-se por questões cada vez mais irrelevantes, fúteis e até mesmo ridículas.

E o “mal do século” tem cura?
_É claro que tem!
Qual é?
_Ser forte, cada vez mais forte.
E como se fica forte?
_Combatendo adversidades e ameaças. E quanto mais fortes forem as adversidades e ameaças vencidas, mais forte se fica.
Mas o combate gera estresse, dor e sofrimento.
_Mas é somente assim que se fica forte. Afinal, quem disse que ser forte é fácil?
Mas o combate pode matar!
_Exatamente. Mas, como demonstrou Charles Darwin, só os fortes sobrevivem.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

A volta dos militares ao poder

 Artigo de André Soares 22/05/2017



O atual colapso do estado brasileiro, mergulhado em grave crise político-econômica, corrupção institucional generalizada e degenerescência dos partidos políticos, é terreno fértil para imediatismos e adoção de paliativos, como são recorrentes em nossa história. Verdade seja dita, desde a independência e no transcurso de nossos momentos mais críticos a sociedade sempre demandou por paliativos, em detrimento de soluções de estado eficientes e definitivas. Não por acaso, a subcultura do “jeitinho brasileiro” condenou o país ao conhecido rótulo depreciativo: “o Brasil não é um país sério”. Portanto, não é de surpreender o ressurgimento de retumbante mobilização social, conclamando a volta dos militares ao poder.

Para entender o que isso representaria, basta relembrar o adágio que diz: “errar é humano, persistir no erro é burrice”. Ou será que nossa sociedade se esqueceu do período da ditadura militar? Ou teria sido período da subversão? Nesse contexto, importa ressaltar que o Brasil é um país sem história. Porque “pior que um povo que não conhece sua história é um povo que a perdeu”, como é o caso brasileiro. Visto que todo o obscurantismo dos governos militares foi criminosamente “desacontecido”, com a aquiescência da pusilânime sociedade brasileira que, ao evocar agora a sua volta ao poder, comete a escabrosa estupidez de persistir no mesmo erro pretérito.

Cumpre ressaltar que o Brasil não está sofrendo apenas um colapso político-econômico, mas também ético-moral e psicossocial. Assim, agrava-se esse quadro pelo fato de há décadas não despontar no país uma genuína e autêntica liderança nacional, menos ainda proveniente dos quadros das forças armadas, condenadas que estão ao sucateamento de seu arsenal bélico e relegadas à entropia burocrática dos quartéis. Portanto, a realidade sobre as forças armadas de hoje é completamente diversa da época dos governos militares.

Primeiramente, porque não há em seu público interno personalidade com autoridade e atributos de liderança mínimos, que lhe confiram representatividade junto à sociedade e poder de influência na conjuntura nacional. Em segundo lugar porque diferentemente do passado quando os comandantes militares empregaram suas tropas para alçarem ao poder em 1964, atualmente inexiste a possibilidade dessa ação autoritária. Isso porque as forças armadas estão consolidadas institucionalmente e seus quadros subordinam-se exclusivamente ao estado democrático de direito, e não mais ao personalismo de seus comandantes.

Em terceiro lugar porque atualmente as forças armadas têm inexpressivo poder político sobre as decisões de estado. Nesse sentido, vale dizer inclusive que sofrem de significativo retrocesso. Porquanto a despeito de possuírem notável potencial eleitoral pelo contingente de milhões de eleitores da família militar, por outro lado demostram assombrosa incapacidade para eleger representantes para a defesa de seus legítimos interesses, especialmente no poder legislativo federal.

Destarte, a persistente e prolongada crise nacional, cujo agravamento vem inviabilizando a consecução das urgentes reformas estruturantes e demandando sérias repercussões sociais, sinaliza um cenário prospectivo pessimista. Porque a descrença social no degenerescente mundo político fomenta o incontrolável espírito imediatista brasileiro, que recorrentemente demanda ao engodo de encontrar “salvadores da pátria”, inspirando assim o oportunismo de aventureiros ao cargo presidencial nas próximas eleições de 2018, que ora já se apresentam.

Significa que estamos ante um futuro político incerto e arriscado. Portanto, urge ao Brasil tornar-se um país sério. Nesse sentido, o pleito da próxima eleição presidencial em 2018 será oportunidade derradeira para a sociedade libertar-se do jugo da corrupta política partidária vigente, elegendo presidente que seja pessoa absolutamente incorruptível, comprometida em governar o país com eficiência, legalidade e ética, e combater avassaladora e impiedosamente todos os corruptos, sem exceção.

Caso esse auspicioso futuro seja inaugurado no país, que o destino benfazejo nos proporcione eleger ao cargo presidencial a persona de um nobre estadista, sendo importante não desconsiderar que o destino imprevisível possa nos reservar encontrar esse ilustre perfil presidencial na persona de um honrado e exemplar militar das forças armadas

domingo, 22 de janeiro de 2017

Casamento ou liberdade?

Artigo de André Soares - 22/01/2017


 

As três decisões mais importantes da vida, determinantes para a realização e felicidade de todo ser humano, são: profissão, casamento e filhos. Assim, se por um lado a escolha sobre qual profissão seguir é uma decisão monocrática de foro íntimo, por outro lado as decisões sobre casar-se e ter filhos dependem do relacionamento interpessoal. Todavia, muitas pessoas casadas sentem-se “aprisionadas” pelo matrimônio, cuja insatisfação pessoal acarreta o fracasso conjugal, com consequências prejudiciais à família, notadamente aos filhos. Portanto, um importante questionamento é: “Casamento ou liberdade?”.

Não por acaso, o insucesso é a regra na absoluta maioria dos casamentos no Brasil, conforme os dados oficiais sobre separações e divórcios. Confirma-se, assim, a expertise do renomado médico-psiquiatra Flávio Gikovate, uma das maiores autoridades nacionais sobre relacionamentos conjugais, que afirma peremptoriamente e com bom humor que "apenas 95% dos casamentos são malsucedidos”. Nesse mister, vários fatores podem contribuir para o fracasso no casamento. Mas o maior pesadelo que aterroriza os cônjuges desde os primórdios é o adultério. É nesse contexto que a degenerescência dos valores familiares no Brasil atingiu níveis críticos, estimulada sub-repticiamente pela mídia, mormente na permissividade sexual explícita entre casais, retratada sistematicamente em novelas nos canais abertos. Dessa forma, o fato é que infelizmente o adultério tornou-se comum nos casamentos no país, praticado igualmente por homens e mulheres.

Evidentemente que, no âmbito dessa conjuntura desfavorável ao casamento, a decisão mais sensata seria a de evitá-lo e, por conseguinte, a “prisão” que ele possa representar, em razão do elevado risco de insucesso já apresentados. Porém, aqui, a questão se agrava. Visto que, se por um lado os casamentos estão cada vez mais fadados ao fracasso no país, por outro a grande verdade é que casamentos são inevitáveis. Pois, todas as pessoas, sem exceção, mesmo as que se declaram contrárias ao casamento, em algum momento de suas vidas inescapavelmente se “casarão”, mesmo que “extra oficialmente”.

A questão se torna ainda mais complexa para quem imaginar que liberdade e casamento são incompatíveis. Porque não são. Isso porque, ao contrário do que se imagina, os raríssimos casamentos bem-sucedidos são aqueles em que os cônjuges têm a liberdade como valor fundamental. Mas, que não se confunda liberdade no casamento com libertinagem, relações extraconjugais e outras permissividades. Pois, o casamento saudável, próspero e feliz é aquele em que há compromisso de entrega total entre os cônjuges, num inabalável e inquebrantável pacto ético-moral de união e lealdade acima de tudo. Somente assim é que nasce uma energia vital à harmonia e longevidade do casamento que é a confiança absoluta mútua entre o casal. E é a indestrutível e avassaladora força da confiança recíproca total entre os cônjuges que possibilitará um casamento bem-sucedido e sem “aprisionamentos”, no qual ambos terão liberdade para viver e agir individualmente, sem medos e desconfianças entre eles. Portanto, os binômios “casamento e liberdade” e “compromisso ético e confiança” são os condicionantes fundamentais para um matrimônio bem-sucedido e feliz.


  "Ser ou não ser masculino? Eis, a questão!"

Artigo de André Soares - 22/01/2017

 

O pior sofrimento existencial a condenar-se um ser vivo é forçá-lo a reprimir ou renegar a própria natureza. Assim sendo, force qualquer animal a isso, seja ele selvagem ou pacífico, predador ou dócil, nômade ou sedentário, sociável ou solitário, diurno ou notívago, masculino ou feminino, etc; e divorciar-lhe-á de sua identidade. Porque “Ser ou não ser masculino? Eis, a questão” é a gênese de um inédito fenômeno degenerativo, no qual os homens estão sendo vitimados, por uma crise de identidade sem precedentes. Está inserido no âmbito de um grave flagelo da humanidade denominado por especialistas como “a quarta onda”, ou “onda do espírito”, e alardeada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como "a crise do século XXI", ou "mal do século" - que é a pandemia de doenças e transtornos mentais, cuja projeção prevê se tornar até 2030 a patologia mais prevalente no planeta, a frente do câncer e algumas doenças infecciosas.

Assim é que a conjuntura atual caracteriza-se pela superlotação dos consultórios psiquiátricos e psicoterápicos por ambos os sexos, na qual a crise de masculinidade demanda da inversão de papéis sociais, em que os homens perderam sua hegemonia patriarcal, sendo subjugados pelas mulheres em várias searas e relegados por elas à condição de meros coadjuvantes, inclusive no relacionamento sexual. Isso decorre especialmente das vertiginosas conquistas sociais femininas, nas quais as mulheres estão se tornando protagonistas da própria vida, sobrepujando os homens em diversas atividades profissionais, assumindo o comando político dos países e decidindo os desígnios do mundo contemporâneo.

Agrava-se a crise de identidade dos homens com a escalada da “epidemia homossexual”, que aflige exponencialmente o universo masculino.  A sua proliferação desenfreada também é consequência da incompreensão generalizada sobre a temática da igualdade entre os gêneros, notadamente por parte das mulheres. Porque, dominadas pelo romantismo utópico, distanciamento da realidade e comportamento passional, fomentam equivocadamente a prática do homossexualismo como sendo algo benéfico ao indivíduo e à coletividade, quando de fato não é. Ao contrário, se por um lado o homossexualismo é considerado juridicamente um direito individual, por outro lado é definitivamente um desvirtuamento da sexualidade, extremamente nocivo à saúde pessoal e social. Afinal, se o homossexualismo fizesse algum bem à saúde, certamente seria recomendado pela OMS à comunidade internacional, principalmente as práticas do homossexualismo masculino, não é mesmo?

Assim sendo, é muito difícil compreender, notadamente pela mentalidade feminina, por exemplo, que a igualdade entre os gêneros só se justifica integralmente em termos de direitos humanos, no sentido humanístico; o que não significa necessariamente igualdade absoluta no sentido político-social. Porque é crucial lembrar as sábias palavras de Rui Barbosa, que dizia: “Justiça está em tratar desigualmente os desiguais, na exata proporção de suas desigualdades”. Portanto, é um grave erro dar tratamento igualitário indiscriminado a homens e mulheres, principalmente no tocante à organização social, quando a concepção, criação e sobrevivência da humanidade estão condicionadas justamente à simbiose de suas cruciais diferenças, a partir do modelo heterossexual, que é o DNA da família, “célula máter” da sociedade e da civilização.

Destarte, a eterna “guerra dos sexos” inaugura a era da supremacia feminina, condenando o sexo oposto ao futuro no qual se “estará” homem, mas não se “será” homem de fato. Tempos difíceis estão por vir, e certamente as consequências serão trágicas para todos. Infelizmente, não se vislumbra qualquer tênue faixo de luz de esperança no fim do túnel, não sendo possível se antever o final dessa tragédia. Todavia, certamente sobreviverão as sociedades que resgatarem a cultura e os verdadeiros valores sociais da estrutura familiar heterossexual, nos quais homens e mulheres se reencontrem com sua natureza e identidade, reassumindo e interagindo harmoniosamente suas diferenças, com a sabedoria de exercê-las na plenitude.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A regra de ouro do comando

Artigo de André Soares - 15/01/2017

 
 

No Brasil, sucessivas gerações de comandantes militares vêm sendo formadas há décadas nos quartéis sob a égide de um aforisma que professa: “Ides comandar, aprendei a obedecer”. Ressalta-se que a profissão militar, no contexto da segurança nacional, é uma das mais insignes carreiras de estado, salvaguardando-o contra inimigos, seja na seara da segurança pública contra a criminalidade, seja no âmbito da defesa externa em caso de guerra. Destaca-se ainda que, no cumprimento desse mister, os comandantes militares detém o monopólio do uso da força e emprego de armamento e arsenal bélicos. Significa que eles têm o ingente poder de, em última instância, decidir sobre a incolumidade e vida não apenas de seus subordinados e inimigos, mas também das pessoas que eventualmente estejam inseridas no contexto de seu emprego operacional. Portanto, cabe ao estado e à sociedade exigir a devida responsabilização dos comandantes militares no exercício de suas funções, bem como certificar-se de que sua formação seja inquestionável, não apenas sob o aspecto técnico-profissional, mas principalmente no aspecto psicológico e ético-moral. 

Perguntar-se-á, então: “Qual deve ser o perfil psicológico e ético-moral do legítimo comandante militar?” Resposta: segundo o referido aforisma disseminado nos quartéis do país - “Ides comandar, aprendei a obedecer” - é o perfil do comandante que obedece. Por importante, vale destacar que a referida máxima é absoluta, afirmando categoricamente que “todo comandante deve obedecer sempre”. Ou seja, esse paradigma vem formando há décadas no país uma legião de comandantes, ensinando-lhes equivocadamente que a regra de ouro da arte de comandar é obedecer.

Porque não é isso que nos ensina a história militar, a arte da guerra e as melhores bibliografias sobre liderança militar, em todo mundo. Porquanto ter a obediência como lema nunca foi uma virtude, nem no meio militar, nem no civil, muito menos um princípio de comando. Ao contrário, obediência é comportamento inerente à submissão e subserviência, típico das situações de escravidão, opressão, ou sordidez daqueles sem caráter que se prostituem a mercê de superiores e interesses espúrios.

Nesse sentido, dentre outras bibliografias especializadas, “A psicologia da incompetência dos militares’’ é uma obra rara e primorosa, de natureza científico-acadêmica, de autoria de Norman F. Dixon, que desvela com maestria o perfil dos comandantes incompetentes, os quais arrastam inescapavelmente as instituições militares sob seu comando para a ineficiência. Constitui diagnóstico minucioso da degenerescência do comando, na qual se incluem os comandantes “obedientes”. Esse é o contexto em que o consagrado “homem do século XX”, o genial cientista Albert Einstein, critica o abjeto militarismo servil, ao dizer: “Detesto, de saída, quem é capaz de marchar em formação com prazer ao som de uma banda. Nasceu com cérebro por engano; bastava-lhe a medula espinhal.”

É exatamente por isso que a disciplina é um dos pilares fundamentais da profissão militar, que não se confunde com obediência. Pois, disciplina é ter servidão exclusivamente a ordens que sejam emanadas rigorosamente em consonância com o ordenamento jurídico vigente e à ética. Logo, o perfil desejável a todos os militares brasileiros é ter disciplina unicamente ao estado democrático de direito, nunca tendo obediência à pessoa de superiores, denunciando prontamente ordens que forem de encontro ao regramento jurídico vigente e aos legítimos valores militares.

Voltamos, assim, aos sábios e milenares ensinamentos da história militar, arte da guerra e liderança militar que, diferentemente do que vem ocorrendo no país, elegem unanimemente a virtude do exemplo como sendo a regra de ouro da arte de comandar. Pois, o exemplo é o principal atributo da personalidade dos mais renomados comandantes militares da história, reverenciando-se aqui o memorável Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que com o seu inabalável e irrepreensível exemplo é merecidamente o digno Patrono do Exército Brasileiro.

Portanto, o verdadeiro comandante militar é aquele que dá o seu exemplo pessoal em absolutamente tudo. Porque, como alardeia outro sábio dito castrense, “as palavras convencem, mas só o Exemplo arrasta”. Assim, oxalá seja inaugurada uma nova era no Brasil, na qual nossos futuros comandantes militares sejam forjados nos quartéis do país sob a égide da verdadeira e universal máxima castrense: “Ides comandar? Aprendei a dar o Exemplo!"


 

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