domingo, 22 de janeiro de 2017

Casamento ou liberdade?

Artigo de André Soares - 22/01/2017


 

As três decisões mais importantes da vida, determinantes para a realização e felicidade de todo ser humano, são: profissão, casamento e filhos. Assim, se por um lado a escolha sobre qual profissão seguir é uma decisão monocrática de foro íntimo, por outro lado as decisões sobre casar-se e ter filhos dependem do relacionamento interpessoal. Todavia, muitas pessoas casadas sentem-se “aprisionadas” pelo matrimônio, cuja insatisfação pessoal acarreta o fracasso conjugal, com consequências prejudiciais à família, notadamente aos filhos. Portanto, um importante questionamento é: “Casamento ou liberdade?”.

Não por acaso, o insucesso é a regra na absoluta maioria dos casamentos no Brasil, conforme os dados oficiais sobre separações e divórcios. Confirma-se, assim, a expertise do renomado médico-psiquiatra Flávio Gikovate, uma das maiores autoridades nacionais sobre relacionamentos conjugais, que afirma peremptoriamente e com bom humor que "apenas 95% dos casamentos são malsucedidos”. Nesse mister, vários fatores podem contribuir para o fracasso no casamento. Mas o maior pesadelo que aterroriza os cônjuges desde os primórdios é o adultério. É nesse contexto que a degenerescência dos valores familiares no Brasil atingiu níveis críticos, estimulada sub-repticiamente pela mídia, mormente na permissividade sexual explícita entre casais, retratada sistematicamente em novelas nos canais abertos. Dessa forma, o fato é que infelizmente o adultério tornou-se comum nos casamentos no país, praticado igualmente por homens e mulheres.

Evidentemente que, no âmbito dessa conjuntura desfavorável ao casamento, a decisão mais sensata seria a de evitá-lo e, por conseguinte, a “prisão” que ele possa representar, em razão do elevado risco de insucesso já apresentados. Porém, aqui, a questão se agrava. Visto que, se por um lado os casamentos estão cada vez mais fadados ao fracasso no país, por outro a grande verdade é que casamentos são inevitáveis. Pois, todas as pessoas, sem exceção, mesmo as que se declaram contrárias ao casamento, em algum momento de suas vidas inescapavelmente se “casarão”, mesmo que “extra oficialmente”.

A questão se torna ainda mais complexa para quem imaginar que liberdade e casamento são incompatíveis. Porque não são. Isso porque, ao contrário do que se imagina, os raríssimos casamentos bem-sucedidos são aqueles em que os cônjuges têm a liberdade como valor fundamental. Mas, que não se confunda liberdade no casamento com libertinagem, relações extraconjugais e outras permissividades. Pois, o casamento saudável, próspero e feliz é aquele em que há compromisso de entrega total entre os cônjuges, num inabalável e inquebrantável pacto ético-moral de união e lealdade acima de tudo. Somente assim é que nasce uma energia vital à harmonia e longevidade do casamento que é a confiança absoluta mútua entre o casal. E é a indestrutível e avassaladora força da confiança recíproca total entre os cônjuges que possibilitará um casamento bem-sucedido e sem “aprisionamentos”, no qual ambos terão liberdade para viver e agir individualmente, sem medos e desconfianças entre eles. Portanto, os binômios “casamento e liberdade” e “compromisso ético e confiança” são os condicionantes fundamentais para um matrimônio bem-sucedido e feliz.


  "Ser ou não ser masculino? Eis, a questão!"

Artigo de André Soares - 22/01/2017

 

O pior sofrimento existencial a condenar-se um ser vivo é forçá-lo a reprimir ou renegar a própria natureza. Assim sendo, force qualquer animal a isso, seja ele selvagem ou pacífico, predador ou dócil, nômade ou sedentário, sociável ou solitário, diurno ou notívago, masculino ou feminino, etc; e divorciar-lhe-á de sua identidade. Porque “Ser ou não ser masculino? Eis, a questão” é a gênese de um inédito fenômeno degenerativo, no qual os homens estão sendo vitimados, por uma crise de identidade sem precedentes. Está inserido no âmbito de um grave flagelo da humanidade denominado por especialistas como “a quarta onda”, ou “onda do espírito”, e alardeada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como "a crise do século XXI", ou "mal do século" - que é a pandemia de doenças e transtornos mentais, cuja projeção prevê se tornar até 2030 a patologia mais prevalente no planeta, a frente do câncer e algumas doenças infecciosas.

Assim é que a conjuntura atual caracteriza-se pela superlotação dos consultórios psiquiátricos e psicoterápicos por ambos os sexos, na qual a crise de masculinidade demanda da inversão de papéis sociais, em que os homens perderam sua hegemonia patriarcal, sendo subjugados pelas mulheres em várias searas e relegados por elas à condição de meros coadjuvantes, inclusive no relacionamento sexual. Isso decorre especialmente das vertiginosas conquistas sociais femininas, nas quais as mulheres estão se tornando protagonistas da própria vida, sobrepujando os homens em diversas atividades profissionais, assumindo o comando político dos países e decidindo os desígnios do mundo contemporâneo.

Agrava-se a crise de identidade dos homens com a escalada da “epidemia homossexual”, que aflige exponencialmente o universo masculino.  A sua proliferação desenfreada também é consequência da incompreensão generalizada sobre a temática da igualdade entre os gêneros, notadamente por parte das mulheres. Porque, dominadas pelo romantismo utópico, distanciamento da realidade e comportamento passional, fomentam equivocadamente a prática do homossexualismo como sendo algo benéfico ao indivíduo e à coletividade, quando de fato não é. Ao contrário, se por um lado o homossexualismo é considerado juridicamente um direito individual, por outro lado é definitivamente um desvirtuamento da sexualidade, extremamente nocivo à saúde pessoal e social. Afinal, se o homossexualismo fizesse algum bem à saúde, certamente seria recomendado pela OMS à comunidade internacional, principalmente as práticas do homossexualismo masculino, não é mesmo?

Assim sendo, é muito difícil compreender, notadamente pela mentalidade feminina, por exemplo, que a igualdade entre os gêneros só se justifica integralmente em termos de direitos humanos, no sentido humanístico; o que não significa necessariamente igualdade absoluta no sentido político-social. Porque é crucial lembrar as sábias palavras de Rui Barbosa, que dizia: “Justiça está em tratar desigualmente os desiguais, na exata proporção de suas desigualdades”. Portanto, é um grave erro dar tratamento igualitário indiscriminado a homens e mulheres, principalmente no tocante à organização social, quando a concepção, criação e sobrevivência da humanidade estão condicionadas justamente à simbiose de suas cruciais diferenças, a partir do modelo heterossexual, que é o DNA da família, “célula máter” da sociedade e da civilização.

Destarte, a eterna “guerra dos sexos” inaugura a era da supremacia feminina, condenando o sexo oposto ao futuro no qual se “estará” homem, mas não se “será” homem de fato. Tempos difíceis estão por vir, e certamente as consequências serão trágicas para todos. Infelizmente, não se vislumbra qualquer tênue faixo de luz de esperança no fim do túnel, não sendo possível se antever o final dessa tragédia. Todavia, certamente sobreviverão as sociedades que resgatarem a cultura e os verdadeiros valores sociais da estrutura familiar heterossexual, nos quais homens e mulheres se reencontrem com sua natureza e identidade, reassumindo e interagindo harmoniosamente suas diferenças, com a sabedoria de exercê-las na plenitude.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A regra de ouro do comando

Artigo de André Soares - 15/01/2017

 
 

No Brasil, sucessivas gerações de comandantes militares vêm sendo formadas há décadas nos quartéis sob a égide de um aforisma que professa: “Ides comandar, aprendei a obedecer”. Ressalta-se que a profissão militar, no contexto da segurança nacional, é uma das mais insignes carreiras de estado, salvaguardando-o contra inimigos, seja na seara da segurança pública contra a criminalidade, seja no âmbito da defesa externa em caso de guerra. Destaca-se ainda que, no cumprimento desse mister, os comandantes militares detém o monopólio do uso da força e emprego de armamento e arsenal bélicos. Significa que eles têm o ingente poder de, em última instância, decidir sobre a incolumidade e vida não apenas de seus subordinados e inimigos, mas também das pessoas que eventualmente estejam inseridas no contexto de seu emprego operacional. Portanto, cabe ao estado e à sociedade exigir a devida responsabilização dos comandantes militares no exercício de suas funções, bem como certificar-se de que sua formação seja inquestionável, não apenas sob o aspecto técnico-profissional, mas principalmente no aspecto psicológico e ético-moral. 

Perguntar-se-á, então: “Qual deve ser o perfil psicológico e ético-moral do legítimo comandante militar?” Resposta: segundo o referido aforisma disseminado nos quartéis do país - “Ides comandar, aprendei a obedecer” - é o perfil do comandante que obedece. Por importante, vale destacar que a referida máxima é absoluta, afirmando categoricamente que “todo comandante deve obedecer sempre”. Ou seja, esse paradigma vem formando há décadas no país uma legião de comandantes, ensinando-lhes equivocadamente que a regra de ouro da arte de comandar é obedecer.

Porque não é isso que nos ensina a história militar, a arte da guerra e as melhores bibliografias sobre liderança militar, em todo mundo. Porquanto ter a obediência como lema nunca foi uma virtude, nem no meio militar, nem no civil, muito menos um princípio de comando. Ao contrário, obediência é comportamento inerente à submissão e subserviência, típico das situações de escravidão, opressão, ou sordidez daqueles sem caráter que se prostituem a mercê de superiores e interesses espúrios.

Nesse sentido, dentre outras bibliografias especializadas, “A psicologia da incompetência dos militares’’ é uma obra rara e primorosa, de natureza científico-acadêmica, de autoria de Norman F. Dixon, que desvela com maestria o perfil dos comandantes incompetentes, os quais arrastam inescapavelmente as instituições militares sob seu comando para a ineficiência. Constitui diagnóstico minucioso da degenerescência do comando, na qual se incluem os comandantes “obedientes”. Esse é o contexto em que o consagrado “homem do século XX”, o genial cientista Albert Einstein, critica o abjeto militarismo servil, ao dizer: “Detesto, de saída, quem é capaz de marchar em formação com prazer ao som de uma banda. Nasceu com cérebro por engano; bastava-lhe a medula espinhal.”

É exatamente por isso que a disciplina é um dos pilares fundamentais da profissão militar, que não se confunde com obediência. Pois, disciplina é ter servidão exclusivamente a ordens que sejam emanadas rigorosamente em consonância com o ordenamento jurídico vigente e à ética. Logo, o perfil desejável a todos os militares brasileiros é ter disciplina unicamente ao estado democrático de direito, nunca tendo obediência à pessoa de superiores, denunciando prontamente ordens que forem de encontro ao regramento jurídico vigente e aos legítimos valores militares.

Voltamos, assim, aos sábios e milenares ensinamentos da história militar, arte da guerra e liderança militar que, diferentemente do que vem ocorrendo no país, elegem unanimemente a virtude do exemplo como sendo a regra de ouro da arte de comandar. Pois, o exemplo é o principal atributo da personalidade dos mais renomados comandantes militares da história, reverenciando-se aqui o memorável Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que com o seu inabalável e irrepreensível exemplo é merecidamente o digno Patrono do Exército Brasileiro.

Portanto, o verdadeiro comandante militar é aquele que dá o seu exemplo pessoal em absolutamente tudo. Porque, como alardeia outro sábio dito castrense, “as palavras convencem, mas só o Exemplo arrasta”. Assim, oxalá seja inaugurada uma nova era no Brasil, na qual nossos futuros comandantes militares sejam forjados nos quartéis do país sob a égide da verdadeira e universal máxima castrense: “Ides comandar? Aprendei a dar o Exemplo!"


 

Mensagem aos jovens III - O colapso do Brasil

Artigo de André Soares - 05/01/2017

 


Há tempos venho alardeando, especialmente aos jovens, a iminência do colapso do Brasil, que celeremente se evidencia. A atual crise político-econômica nacional e a falência financeira de vários estados da federação são apenas o início desse caos. Significa que o “Brasil-Titanic” está indo a pique e, consequentemente, a maioria da sociedade se “afogará”. Porque, em tempos de crises, “os justos sempre pagam pelos pecadores”. Portanto, haverá no Brasil muita injustiça e sofrimento à população em geral, com perdas de direitos e prejuízos sociais irreversíveis. E o segmento mais vulnerável a ser impiedosamente sacrificado será a desprotegida juventude brasileira, bem como o seu futuro.

Nesse contexto, a principal questão não é saber se o Brasil sobreviverá a essa hecatombe. Mas, sim: “Quanto tempo demandará?” e, “Que país restará depois?”. Porque, diferentemente do falso otimismo dos nossos governantes, o Brasil do futuro próximo será pior que o Brasil de hoje, principalmente para os jovens. Portanto, você que é jovem e quer o melhor para sua vida, seja forte e inteligente para sobreviver ao colapso do Brasil, atentando para os seguintes alertas:

Alerta 1: Conquiste o quanto antes a sua independência financeira. Essa é condição determinante para se viver a própria vida, libertando-se da dependência dos pais. Portanto, busque prioritariamente um emprego ou atividade que lhe possibilite auferir seus próprios proventos, acumulando com seus estudos, priorizando a conclusão do ensino médio, no mínimo. Mesmo que consiga prosseguir no ensino superior, exerça concomitantemente alguma atividade econômica, construindo desde o mais cedo possível sua independência financeira e carreira profissional.

Alerta 2: Não seja um “estudante profissional”: aquele que desperdiça anos de sua vida produtiva e muito dinheiro, dedicando-se exclusivamente a formação e titulação acadêmicas como aperfeiçoamentos, mestrados, doutorados, pós-doutorados, etc..., achando que terá necessariamente melhores condições de empregabilidade e salário. Ledo engano! O triste destino do “estudante profissional” é chegar atrasado ao mercado de trabalho, provavelmente com cerca de 35/40 anos de idade, casado(a), com família, filhos para sustentar e outras obrigações, tendo como expertise profissional a sua excelente “maestria em ser aluno”. Portanto, a despeito da indiscutível e cada vez maior importância da formação acadêmica na atualidade, o principal diferencial no mundo competitivo é a competência de quem realmente sabe fazer. E isso é avaliado em última instância pela experiência e desempenho profissionais, e não no histórico de colecionadores de certificados e diplomas.

Alerta 3: Não seja um “concurseiro”: aquele que desperdiça anos de sua vida produtiva e muito dinheiro, dedicando-se exclusivamente a passar em concursos públicos, visando à comodidade da tão desejada estabilidade do serviço público, que tanta ineficiência causa às nossas instituições. Porque, como o número de candidatos é exponencialmente superior ao número de vagas, somente poucos conseguirão, gerando um passivo crescente da esmagadora maioria de "concurseiros" que, por mais que tente, nunca passará nesses concursos. Assim, o triste destino da grande maioria dos “concurseiros” é viver à custa dos pais.

Alerta 4: Não se case nem tenha filhos com quem não possua autonomia e independência financeira. Ou seja, não se case para ser provedor do seu cônjuge, nem tenha filhos nessa situação. Fazer isso é um "suicídio pessoal e familiar" no mundo moderno, no qual homens e mulheres estão igualados em responsabilidades da vida civil, notadamente no casamento, constituição de família e criação da prole. Ressalta-se que, segundo os dados oficiais, a dissolução dos casamentos no país é a regra,  nos quais mais de 51% ocorrem em até 10 anos, tendo havido expressivo aumento dos divórcios em 2016, em razão da facilidade de sua realização diretamente nos cartórios, sem a obrigatoriedade da assistência advocatícia. Significa que a maioria dos jovens de hoje infelizmente estará divorciada num futuro breve, tendo de superar essa turbulenta crise pessoal e familiar extremamente dolorosa, especialmente sofrida se houver filhos menores, e ainda mais difícil financeiramente se um dos cônjuges não possuir autonomia financeira.

Alerta 5: Pense seriamente em construir sua vida profissional e até mesmo constituir sua família fora do Brasil, num país desenvolvido. Porque a desejada recuperação político-econômica do país, bem como a consecução das necessárias reformas estruturantes, se houver, demandarão décadas. Nesse contexto, colocando sentimentos patrióticos passionais à parte, o mais inteligente é encontrar as melhores oportunidades onde elas estão: nos países desenvolvidos. E essa enriquecedora experiência internacional está cada vez mais acessível nos dias atuais, especialmente quando se é jovem.

Assim, posteriormente, você poderá retornar ao Brasil como um jovem vencedor, seja para passear ou ter ótimas férias com seus familiares e amigos, seja para ganhar muito dinheiro em seus investimentos, seja para edificar um novo e próspero Brasil. 



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A Inteligência do casamento III - As mulheres

Artigo de André Soares - 25/10/2016


Ao reiterar veementemente a verdade inconteste que “casamentos não dão certo, nem mesmo por amor”; sou obrigado a admoestar a enorme legião de casais revoltados com essa realidade, advertindo-os sobre a expertise do renomado médico-psiquiatra Flávio Gikovate, unanimemente reconhecido como uma das maiores autoridades nacionais na dinâmica das relações humanas, especialmente sobre casais. Pois, pensando de forma congênere, não por acaso Flávio Gikovate persiste em afirmar, com o seu característico bom humor, que "apenas 95% dos casamentos são malsucedidos”. Portanto, a grande questão sobre a qual as pessoas devem se debruçar, principalmente antes de se casarem, é decifrar o porquê. Afinal, esse tão escabroso fracasso no casamento significa também um retumbante fracasso na vida.

Nesse contexto, outra verdade sobre os casais é que homens e mulheres são completamente despreparados para o casamento. Isso, aliás, é brilhantemente destacado pelo consagrado escritor Luís Fernando Veríssimo, quando ressalta humoristicamente que “os homens partem para o casamento achando que sabem escolher uma mulher, quando ainda nem sabem escolher uma gravata”.

E o que dizer das mulheres? Bem, sobre elas a verdade não é menos pior. Valho-me aqui da sábia canção do “Tremendão”, Erasmo Carlos, intitulada “Mesmo que seja eu”, que revela com inigualável talento a terrível mediocridade de uma mentalidade feminina universal, que vem avassaladoramente perpassando os tempos, condenando à morte qualquer possibilidade de aprimoramento das mulheres em seus relacionamentos interpessoais e principalmente a saúde de seus casamentos. Desvela a canção sobre as mulheres: “...já dizia a minha vó: antes mal acompanhada do que só. Você precisa de um homem pra chamar de seu. Mesmo que esse homem seja eu”.

A degenerescência dessa mentalidade feminina é tão estarrecedora que evidentemente as mulheres a negam exacerbadamente. E exatamente porque é verdade. Portanto, por mais doloroso que possa parecer aos homens, a esmagadora maioria das mulheres, mesmo as consideradas intelectualizadas e abastadas financeiramente, prefere estar mal casada a não estar casada. Por que? Porque a natureza feminina tem a necessidade patológica de ter “um homem prá chamar de seu”. Mesmo que seja...você. Explica-se, assim, a incontrolável obsessão que as mulheres têm pelo casamento, seu maior propósito de vida. E que fique bem claro: no casamento, para as mulheres, os homens são meros coadjuvantes. E você ainda acha que casamentos assim podem dar certo?

A boa notícia é que há raríssimas mulheres que são gratas exceções. E, certamente, elas fazem parte de dois universos:
1. do universo de no máximo 5% dos casamentos bem-sucedidos, assinalados por Flávio Gikovate;
2. do universo das Mulheres Operacionais.
Portanto, se você é homem, e quer que seu casamento seja bem-sucedido, é apenas e tão somente com uma dessas mulheres que deve se casar. E se você é mulher, então trate de ser uma delas.



Presidente Gay

Artigo de André Soares - 27/10/2016


Nicolau Copérnico, Johannes Kepler e Galileu Galilei são personalidades históricas reverenciadas pela humanidade por suas significativas contribuições científicas na idade média, especialmente pela teoria heliocêntrica. Mas, como é notório, eles não desfrutaram em vida desse merecido reconhecimento. Ao contrário, foram perseguidos, presos e ameaçados de morte. Dentre eles, Galileu foi acusado de heresia e obrigado a pedir perdão ao papa, para não ser condenado e morto na fogueira da inquisição. Somente 350 anos após sua morte, em 31 de outubro de 1992, Galileu foi perdoado pelo Papa João Paulo II, pelo crime de ter descoberto uma das verdades mais importantes da astronomia.

A história desses ilustres cientistas é apenas mais um exemplo a demonstrar sobejamente que quanto mais verossímil for uma verdade, mais valiosa e perigosa será para o seu detentor. Porque toda verdade representa poder, que é diretamente proporcional à sua verossimilhança. E quanto mais poder, maior será a força e os riscos do seu detentor. É por isso que “se conselho fosse bom não se dava se vendia” é um sábio dito popular. Porque não se engane: poder não se compartilha. Assim, deve-se desconfiar de tudo que vem de graça. Principalmente “verdades”.

Portanto, aquele que detém informação e conhecimento relevantes tem poder. Se esse é o seu caso, é preciso ter a expertise de saber como usá-lo. Destarte, inicialmente resista à vaidade de querer se mostrar bem informado e seja inteligente para usufruir do seu patrimônio de poder. Portanto, não perca seu precioso tempo com acaloradas e desgastantes discussões, tentando convencer ineptos e compartilhando ingenuamente seu valioso conhecimento com oportunistas de plantão. Seja poderoso: aposte. Porque, como a verdade é avassaladora e indestrutível, se você estiver com ela, inescapavelmente vencerá, não é mesmo?

Quer um exemplo? Testemunhei um poderoso amigo que emprega muito bem essa expertise. Mais de um ano antes das eleições presidências de 2014 no Brasil, na qual Dilma Rousseff e Aécio Neves seriam os principais candidatos, em meio às raivosas e radicais discussões que já se polarizavam pelo país, meu amigo sem perda de tempo e laconicamente desafiou a todos: “Querem apostar? ” E lançou seu desafio: “Sabem qual a diferença do Brasil ganhar ou perder a copa do mundo de futebol, que será realizada ano que vem, aqui no país, em julho de 2014? ” Em meio ao silêncio de todos, ele profetizou: “A diferença é que, se o Brasil ganhar a copa do mundo, Dilma Rousseff será reeleita presidente do país no primeiro turno. Agora, se o Brasil perder a copa do mundo, então Dilma Rousseff será reeleita no segundo turno. ”

Nem é preciso dizer que todos os presentes não titubearam em apostar contra ele. Evidentemente que, mais de um ano depois, o desfecho dessa aposta já é conhecido: o Brasil perdeu a copa do mundo, com a vergonhosa e inesquecível derrota para a Alemanha por 7x1; a presidente Dilma Rousseff foi reeleita no segundo turno; e meu amigo ganhou um bom dinheiro e o mais importante: ainda mais poder e prestígio. ”

Atualmente, uma de suas apostas lançadas, refere-se às próximas eleições presidenciais no Brasil. E já profetizou: “O próximo presidente eleito do país em 2018 será gay”. Querem apostar?


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O Brasil otimista

Artigo de André Soares - 19/10/2016

 

Winston Churchill dizia que “o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade, enquanto o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”. Confúcio enfatizava que “o pessimismo torna o homem cauteloso e o otimismo torna o homem imprudente”. Roberto Campos afirmava que “o pessimista é um otimista bem informado”. E Ariano Suassuna era taxativo: “o otimista é um tolo e o pessimista é um chato”. A sapiência dessas renomadas personalidades explica com propriedade o porquê de o Brasil ter chegado ao festival de crises da sua conjuntura atual. Porque, como os brasileiros são otimistas por excelência, nosso povo só reconhece oportunidades nas crises, é demasiadamente imprudente, mal informado e tolo.

A humanidade em geral, especialmente a esmagadora maioria da sociedade brasileira, pensam que ser pessimista é um erro, e que a melhor maneira de obter sucesso na vida é ser absolutamente otimista. Quanto mais otimista, melhor. Esse sim é um erro colossal e que está levando o Brasil à ruína. Porque, ao contrário do que se imagina, o otimismo não é melhor que o pessimismo. Trata-se de posturas pessoais perante à realidade, na qual o otimismo emprega um viés psicológico e o pessimismo um viés racional. Nesse sentido, ambas as estratégias têm sua razão de ser, possuem certo grau de eficiência e utilidade. Afinal, otimistas e pessimistas são tolos e chatos, mas não são burros.

Paradoxalmente, otimismo e pessimismo têm o mesmo objetivo: evitar sofrimento. E o fazem atuando em direções contrárias. Assim, diante da mesma realidade, o otimista parte do pressuposto que tudo dará certo e o pessimista que tudo dará errado. Apostando sempre no melhor cenário, o otimista evita o sofrimento se auto-enganando que o destino lhe será favorável. Dessa forma, sugestiona-se a uma alegria e entusiasmo permanentes, deixando-se dominar pela indolência e imprudência, que consequentemente fomentarão ou agravarão a possibilidade de eventuais infortúnios, os quais poderiam ser evitados ou minimizados, levando o otimista posteriormente a um sofrimento muito maior, caso venham a se configurar. Portanto, o principal erro do otimista é acreditar na sorte, iludindo-se que o “destino conspirará a seu favor”, quando a vida real demonstra sobejamente que isso não é verdade. Portanto, é exatamente esse exacerbado e irresponsável otimismo do povo brasileiro que está levando o país à falência.

De outra parte, apostando sempre no pior cenário, o pessimista preocupa-se com a probabilidade de um futuro ruim, caso o destino não lhe seja favorável. Dessa forma, domina-se pela prudência e cautela, concentrando-se na adoção de medidas preventivas e reativas ante à eventualidade de infortúnios, que via de regra são evitados completamente ou minimizados, na pior hipótese. Assim procedendo, o pessimista evita o sofrimento da consecução da maioria das contingências a que estaria sujeito. Portanto, o principal erro do pessimista é acreditar no azar, iludindo-se que o “destino conspirará contra si”, quando a vida real demonstra sobejamente que isso não é verdade. Portanto, se o povo brasileiro, ao invés de ser irresponsavelmente otimista, fosse levemente pessimista, o país estaria um pouco menos pior.

Porque a estratégia mais eficiente não é ser otimista nem pessimista, mas sim realista; conquanto pouquíssimas pessoas consigam sê-lo. Por que? Porque o realismo tem um objetivo diferente e muito mais difícil de alcançar que o de evitar sofrimento. Seu propósito é conhecer e enfrentar a verdade. E para vencer esse desafio é preciso muita inteligência, força e coragem. Destarte, o realista inescapavelmente sofrerá muito, mas saberá desvelar a verdade dos fatos, antecipando-se ao futuro.

Porém, o desafio de ser feliz e obter sucesso na vida é ainda mais difícil do que ser apenas realista. Visto que a melhor e mais eficiente postura pessoal, que demandará a capacidade de encontrar as melhores soluções e a tomada das decisões mais auspiciosas em todos os sentidos é, vivendo a vida intensamente, ter o tirocínio de saber usar todas essas estratégias a seu favor, discernindo com precisão as situações em que é melhor ser realista, otimista ou pessimista.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Mitos e verdades sobre a ABIN

Artigo de André Soares - 14/10/2016

 



  

A primeira verdade sobre a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) é que ela é a caixa-preta invencível da República Federativa do Brasil, totalmente fora do controle do estado, que os governantes do país temem desafiar. A segunda é que a ABIN foi criada sob os auspícios do projeto de poder clandestino dos militares, remanescentes do famigerado Serviço Nacional de Informações (SNI), extinto em 1990, no governo Fernando Collor de Melo; instituída pela lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que impropriamente lhe outorgou plenos poderes no comando do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), como seu órgão central. A terceira é que a sua degenerescência institucional vem perpetrando crimes hediondos contra o estado e a sociedade, a exemplo das operações Mídia (2004) e Satiagraha (2005), cujos dirigentes permanecem impunes, completamente acima da lei, ferindo de morte os preceitos constitucionais e o estado democrático de direito vigentes.

Outra verdade sobre a ABIN é que ela não possui agentes secretos, ao contrário do que imaginam os nossos presidentes da república. Trata-se de desinformação da agência que sub-repticiamente engana milhares de brasileiros e brasileiras, que nela buscam ingressar esperançosos de se tornarem agentes secretos; a exemplo do que ocorre nas principais agências de inteligência do mundo, como a CIA (EUA), MOSSAD (Israel), MI-6 (Inglaterra), DGSE (França), BND (Alemanha), dentre outras. Assim, a verdade inconteste é que o máximo que alguém alcançará integrando os quadros da ABIN/SISBIN é se tornar um excelente servidor público burocrata.

Outro mito da ABIN é atribuir-se a primazia do sigilo institucional, fazendo a incauta sociedade acreditar que seus integrantes são especiais, por supostamente terem a exclusividade do acesso a assuntos sensíveis de estado e, portanto, serem merecedores de tratamento diferenciado em relação ao funcionalismo público em geral. Mentira! O ordenamento jurídico reza que o trato de assuntos sigilosos é afeto indistintamente a todas as instituições, as quais são detentoras de informações de estado efetivamente muito mais sigilosas, estratégicas e fidedignas que as da agência. Portanto, absolutamente todos os integrantes da ABIN/SISBIN, sem exceção, são exatamente iguais aos demais dignos servidores públicos do país, devendo receber tratamento igualitário, em todos os sentidos, inclusive em sua admissão por meio de rigoroso concurso público, ressaltando-se aqui a obscura atuação da cúpula da agência junto ao congresso nacional, visando a insidiosamente ludibriar essa prescrição constitucional e criar prerrogativas indevidas para seu público interno.

Nesse festival de mitos e engodos produzidos pela ABIN, a sua pseudo doutrina dissemina no país que a atividade-fim da Inteligência de Estado está no papel de seus “analistas de inteligência”, produzindo informações e conhecimentos para o assessoramento do processo decisório governamental. Ledo engano acreditar nisso! Porque a única e verdadeira atividade-fim da Inteligência de Estado, desde Sun Tzu na antiguidade, razão de ser das agências de inteligência em todo o mundo, é o “emprego da expertise operacional do sigilo”, que é atividade exclusiva dos agentes secretos, sua mais nobre função. Mas que, como agora se sabe, a ABIN não os possui.

Outra verdade sobre a ABIN, que nossos governantes não revelam, é a péssima qualidade de suas informações, de tal sorte que qualquer pessoa alfabetizada, que diariamente leia um bom jornal, assista aos noticiários e acesse à internet, está muito melhor informado que a agência. Assim, a ABIN goza de péssima reputação no âmbito da comunidade internacional dos serviços secretos, os quais conhecem amiúde a sua escabrosa ineficiência. Nesse sentido, não foi por acaso que o chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, denunciou a agência à mídia internacional, em 2004, dizendo que: “a ABIN é uma agência de inteligência que se prostitui”.

A despeito de ser uma organização ineficiente, degenerescente, sem propósito e antítese de um serviço secreto, por outro lado a ABIN consolidou a vitória do projeto clandestino de poder dos militares, tornando-se a temível e indevassável caixa-preta do país, fortemente infiltrada pela maçonaria. Todavia, há que se reconhecer que a mais estarrecedora verdade sobre essa organização desvela-se parafraseando as palavras do eminente filósofo, que sabiamente diria ao Brasil: “cada povo tem a inteligência que merece”.



  

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A arte de votar

Artigo de André Soares - 05/10/2016
 
 
Há algumas décadas, o brasileiro Edson Arantes do Nascimento, o inigualável “Rei Pelé”, foi injustamente massacrado e patrulhado impiedosamente pela classe política no Brasil, por ter tido a coragem de dizer uma verdade inconveniente sobre a nossa despolitizada sociedade, quando reverberou que: “...o brasileiro não sabe votar”. Hoje, quando o Brasil se afunda no atoleiro de ingentes e generalizadas crises de corrupção e roubalheira, ensejadas precipuamente pela ação indiscriminadamente criminosa dos partidos políticos e da mais alta cúpula de nossos governantes, os quais foram legitimamente alçados ao poder pelo sufrágio universal do voto popular, a nação brasileira é obrigada a curvar-se humildemente ante àquelas célebres palavras do “Rei Pelé”, que infelizmente são ainda mais verdadeiras na atualidade.
 
Nesse contexto, o digno cidadão brasileiro deve responder às perguntas fundamentais: Como os eleitores devem votar? No partido, ou no candidato? No candidato que defende os seus interesses pessoais ou corporativos, ou naquele que defende os interesses nacionais? E se não houver partido e/ou candidato que melhor representem esses valores na ótica dos eleitores? É indiscutível que o atual caos político é a prova cabal de que a sociedade vem persistindo sistematicamente nas respostas erradas, especialmente na hora de votar. Todavia, as respostas corretas são simples e fáceis. Porque votar civicamente é escolher concomitantemente o partido e o candidato que melhor representem os interesses nacionais, sob a égide dos ditames constitucionais e do estado democrático de direito. E se eventualmente inexistir partido e/ou candidato que melhor representem esses valores sob a ótica dos eleitores, simplesmente não se deve votar. Ponto final! Porque qualquer outra alternativa que não represente a vontade genuína de cada eleitor é abjeto desvirtuamento do processo político e eleitoral. Portanto, o eleitor que, na inexistência de partido e candidato que represente o seu interesse cívico, decide votar na coligação ou candidato que julga ser o menos pior, está denegrindo sua participação política, depreciando o processo eleitoral e elegendo os piores governantes para o país, como histórica e massivamente vem ocorrendo no Brasil.
 
Ademais, a natureza democrática do voto é ser um direito absoluto dos cidadãos. E a condição “sine qua non” de todo direito é tratar-se de um ato voluntário, significando que o exercício do voto deve estar submetido à mercê do livre arbítrio dos indivíduos. Desta forma, a obrigatoriedade do voto no Brasil, além de democraticamente incoerente, não configura a legitimidade de um direito constitucional. Aí está uma das hipocrisias da política brasileira. Porque nada justifica a obrigatoriedade do voto num país verdadeiramente democrático e que almeja ladear no pódium das grandes potências mundiais. E é nessa prática deletéria que está a genealogia das graves distorções do nosso modelo político-eleitoral, a se perpetuarem na retroalimentação da “escravidão” do eleitorado brasileiro aos interesses espúrios da classe política dominante, demandando a degenerescência a que chegamos.
 
Assim, cabe à sociedade extinguir a obrigatoriedade do voto no país, transformando-o verdadeiramente num direito dos cidadãos, que é o voto facultativo. Nesse sentido, um importante instrumento de aprimoramento democrático é a valorização do voto por parte do eleitorado, abstendo-se de votar, seja quando não houver candidato ou partido que represente seus anseios, seja em contraposição à obrigatoriedade do voto. Não por acaso, a espontaneidade dessa atitude vem se manifestando significativamente nas últimas eleições, a exemplo dos resultados do recente pleito municipal deste ano, cujos percentuais de votos não válidos superam muitas vezes o somatório dos votos dos principais candidatos em várias cidades do país.
 
Urge no Brasil a tão alardeada reforma política que, todavia, será efetivamente inócua caso não elimine a obrigatoriedade do voto. Por outro lado, lamentavelmente ainda não se verifica na atual conjuntura a devida mobilização nacional nesse sentido, significando que o cenário prospectivo demandará um maior recrudescimento da crise política eleitoral no país. Nesse contexto, resta-nos, ao menos, reconhecer e reverenciar que a genialidade do “Rei Pelé” não se evidencia apenas no mundo do futebol.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A PNI não é uma Política Nacional de Inteligência

Artigo de André Soares - 26/09/2016

 
 
Um conhecido axioma popular nos ensina que “o que está ruim sempre pode piorar” porque o pior não tem limite. Controvérsias à parte, se o presidente Temer vem alardeando à comunidade internacional um futuro alvissareiro ao Brasil, como em seu recente discurso na 71ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York; por outro lado o mesmo não se aplica à explosiva crise institucional que aflige a caixa-preta da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), um dos próximos escândalos na esteira da Operação Lava Jato. Nesse contexto, “o que está ruim na inteligência do país vai piorar”, em razão dos graves equívocos do seu governo nesta seara, como a recente promulgação da Política Nacional de Inteligência (PNI), pelo decreto nº 8.793, de 29 de junho de 2016.

Pior que um país que não possui uma PNI há décadas, como era o caso do Brasil, é o país que promulga uma PNI que não é uma Política Nacional de Inteligência, como também é o caso do Brasil. E mais: esse crucial equívoco é recorrente desde o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que criou a ABIN e o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), pela lei 9883, de 07 de dezembro de 1999. Porque pasmem! O SISBIN também não é um Sistema Brasileiro de Inteligência.

A primeira verdade que nossos governantes não revelam é a escabrosa ineficiência da ABIN e do SISBIN. A segunda verdade que a sociedade desconhece é que, de forma congênere ao SISBIN, a PNI não é uma política nacional de inteligência, nem de fato e nem de direito. Isso porque, a despeito da denominação “SISBIN” insidiosamente sugerir tratar-se de um sistema de âmbito nacional, na verdade ele está adstrito ao poder executivo federal, na esfera exclusiva da presidência da república e seus ministérios, conforme prescreve o art 1º do Decreto 4872, de 06/11/2003. Portanto, o SISBIN não integra nem mesmo as unidades da federação e municípios do país. Vale enfatizar ainda que estão excluídos de sua estrutura os poderes legislativo e judiciário, bem como o ministério público. Portanto, o SISBIN não tem o alcance nem a legitimidade de um sistema nacional e, consequentemente, sua denominação mais apropriada deveria ser "Sistema de Inteligência da Presidência da República", ou "Sistema de Inteligência do Poder Executivo Federal".

Da mesma forma, a PNI é impropriamente denominada de “política nacional”. Pois, sua abrangência se aplica exclusivamente ao SISBIN, restrita apenas às agências de inteligência subordinadas à presidência da república, conforme prescreve o Art. 1º, do decreto nº 8.793/06/2016. Significa que todas as inúmeras e desconhecidas estruturas de inteligência do país das unidades da federação, municípios, poderes legislativo e judiciário, e ministério público, não são regidas juridicamente pela PNI.

Mas, a atual PNI é ainda pior. Porque, ao invés de demandar uma urgente revisão da equivocada legislação e doutrina de inteligência vigentes, debatendo-as democraticamente com a sociedade, ratifica a desvirtuada lei de criação da ABIN, como órgão central do SISBIN, cujo diploma legal é sub-repticiamente produto do projeto clandestino de poder dos militares, remanescentes do famigerado Serviço Nacional de Informações (SNI), extinto no governo Collor, em 1990. E o retrocesso da PNI vai mais além: dissimulando-se da elaboração do código de ética específico para atividade de inteligência, compromisso assumido pelo governo FHC como condição “sine qua non” para a criação da ABIN/SISBIN, o qual nunca foi cumprido; perpetuando o monopólio dos militares no comando do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e sua influência deletéria sobre a ABIN; não implementando instrumentos eficazes de controle externo da inteligência, que inexiste efetivamente no país, fomentando os hediondos desvirtuamentos da ABIN, como as operações “Satiagraha” e “Mídia”; dentre outros.

Portanto, nada há a comemorar com a atual PNI. Porque a derradeira verdade que fere de morte a segurança nacional é que simplesmente o Brasil continua a não possuir um sistema e uma política de inteligência, de âmbito verdadeiramente nacional, que efetivamente regulem, integrem, coordenem e controlem todas essas atividades no país. Mas, ainda vai piorar. Porque os efeitos dessa PNI, cuja elaboração foi comandada pela cúpula da comunidade que governa a ABIN/SISBIN, visando aos seus propósitos clandestinos, serão inescapavelmente nefastos ao estado. Pois, nossos governantes demonstram sobejamente a incapacidade de salvar o país desse lamentável caos a que chegou a Inteligência nacional, na qual a ABIN/SISBIN permanece vilipendiando impunemente o estado democrático de direito vigente, completamente acima da lei, fortalecida como a invencível caixa-preta da República Federativa do Brasil.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) – “Ex-agente abre a caixa-preta da ABIN” - Entrevista


Entrevista de André Soares, Diretor-presidente de Inteligência...

Entrevista de André Soares, Diretor-presidente de Inteligência Operacional, à Radio USP, sobre o lançamento do seu livro "Ex-Agente abre a Caixa-Preta da ABIN", escrito em parceria com Cláudio Tognolli, prefaciado por Romeu Tuma Jr, e produzido pela editora Escrituras.

Publicado por André Soares em Quinta, 3 de setembro de 2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Os dirigentes acima-da-lei do Brasil

 
Artigo de André Soares - 10/01/2016
 
 
 
No contexto da gravidade dos crimes que vem sendo desvelados nas investigações da Operação “Lava-jato”, que revelou o maior escândalo mundial de corrupção e roubalheira dos cofres públicos no “Petrolão”, desprestigiando e envergonhando o Brasil perante e comunidade internacional, o Ministério Público Federal (MPF) lançou a campanha “Corrupção Não” e os governantes alardeiam em uníssono “não haver no país cidadão acima da lei”. Todavia, isso não é verdade. Porque os dirigentes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), estão completamente acima da lei no país, perpetrando impunemente os mais escabrosos crimes contra o estado e à sociedade, vilipendiando a constituição e o estado democrático de direito. Porque a verdade proibida que nossos governantes não revelam é que a ABIN é a “caixa-preta” invencível da República Federativa do Brasil.

“Jamais presenciei, eminentes Ministros, ao defrontar-me com um processo, tamanho descalabro e desrespeito a normas constitucionais intransponíveis e a preceitos legais” foi a manifestação do Ministro Adilson Vieira Macabu, como relator do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Habeas Corpus Nº 149.250 – SP, que condenou em 2011 os crimes da ABIN na Operação “Satiagraha”, em 2008; cuja decisão foi ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2015. Pois, os crimes da ABIN na “Satiagraha” são o mais escabroso atentado cometido por serviços de inteligência contra o próprio estado, sem precedentes na história contemporânea. Caso tivessem sido cometidos em qualquer país soberano, os seus dirigentes teriam sido condenados à prisão perpétua ou à pena capital.

E o que aconteceu com os responsáveis pelos crimes na “Satiagraha”? Bem, o então delegado da PF Protógenes Queiroz já foi julgado e condenado pela justiça. Quanto aos dirigentes da ABIN, não foram sequer denunciados. Estranho? Claro que não! Pois, os dirigentes da ABIN nunca são levados à justiça pelos crimes cometidos pela agência. Afinal, eles são os dirigentes acima-da-lei do Brasil, que nossos governantes temem enfrentar.

Os crimes cometidos impunemente pela ABIN são fruto da sua descomunal ineficiência e do seu total descontrole, que vão muito além da “Satiagraha”. Originam-se no governo Fernando Henrique Cardoso que, ao criá-la em 1999, reencarnou no país a monstruosidade do famigerado Serviço Nacional de Informações (SNI), extinto pelo presidente Fernando Collor de Melo, em 1990. Além da “Satiagraha”, o rol das ações criminosas da ABIN é ilimitado, incluindo espionagem e grampo contra presidentes da república, ministros e presidente do STF, ações clandestinas a soldo de organismos estrangeiros, patrocínio de espionagem ilegal no país, atuação de dirigentes como agentes duplos, desvio de verba sigilosa, dentre outros.

Em 2013, a Revista Veja denunciou na matéria “Liberdade sob ataque” que a ABIN espionava jornalistas e donos de empresas de comunicação, revelando a existência da clandestina “Operação Mídia”, inclusive com provas documentais da agência. Importante destacar que tais denúncias já haviam sido feitas oficialmente, no governo Lula, em 2004, no Palácio do Planalto, pessoalmente pelo tenente-coronel André Soares, Oficial de Inteligência da Presidência da República. Posteriormente, este oficial as protocolou em expediente de 03 de dezembro de 2012, diretamente à Presidente da República, Dilma Rousseff; Presidente do Congresso Nacional, Senador José Sarney; Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Joaquim Barbosa; e ao Procurador-Geral da República do Ministério Público Federal, Roberto Monteiro Gurgel Santos.
O que aconteceu? Evidentemente, nada. Estranho? Claro que não! Porque agora todos sabemos que os dirigentes da ABIN estão completamente acima da lei no Brasil.

A vitória contra o câncer da corrupção que destrói o Brasil não será conquistada pela realização de investigações seletivas, instauradas politicamente ao sabor de interesses inconfessáveis; especialmente diante do caótico estado de metástase a que chegaram muitas instituições no país, a exemplo da ABIN. Essa nova era somente será inaugurada no país quando o ordenamento jurídico vigente for aplicado exemplarmente a todos, sem exceção, a partir dos governantes e dirigentes institucionais, os quais não podem ficar incólumes ao estado democrático de direito, como os dirigentes da ABIN, que se regozijam abençoados pela impunidade e absolutamente acima da lei.

 

Fórum da Inteligência

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