sábado, 30 de julho de 2011

Você que está sofrendo (ou que ainda vai sofrer)


Artigo de André Soares – 28/07/2011





O diagnóstico é péssimo e o prognóstico trágico, pois nunca antes na história da humanidade o ser humano esteve tão fragilizado psicológica e emocionalmente, triste, infeliz, perdido, sofrendo, incapacitado e pior, morrendo em decorrência disso. Na atual conjuntura, as pessoas estão sendo vitimadas pelo denominado "o mal do século", que é a epidemia de transtornos mentais, constituída por um coquetel de problemas psicológicos como ansiedades, fobias, estresse, depressão, síndrome do pânico, etc, cuja projeção da Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê se tornar até 2030 a patologia mais prevalente no planeta, a frente do câncer e algumas doenças infecciosas. A realidade é grave e se você ainda não teve um desses problemas, fatalmente ainda terá.
As pesquisas recentes têm demonstrado a pouca eficiência dos diversos tratamentos contra "o mal do século" e os especialistas ainda não o compreendem plenamente. Contudo, algumas evidências são significativamente reveladoras, como a sua incidência crescente em mulheres, nas classes sociais mais favorecidas e nos povos mais desenvolvidos, a exemplo do Brasil. Por outro lado, não por acaso, a atual era da informação e do conhecimento, tão bem analisada por Alvin Toffler, em sua obra intitulada "The third wave" (a terceira onda), está intrinsecamente relacionada ao "mal do século", suscitando o desvelar de sua genealogia. Porém, vale dizer que essa não é uma descoberta inédita, sendo tão antiga quanto à própria história, pois já foi alardeada à humanidade por alguns poucos filósofos, conquanto tenham sido lançados ao olvido, condenados ao ostracismo, por proclamarem verdades inconvenientes ao consenso geral.
Você que está sofrendo (ou que ainda vai sofrer) certamente quer compreender "o mal do século", principalmente para evitá-lo, ou curar-se.
Pois, "o mal do século" resulta da insuportável infelicidade das pessoas com suas próprias vidas, percebendo que elas não acontecem como gostariam, vendo seu tempo se esvair e desesperando-se por constatarem que não alcançarão a tão desejada felicidade que tanto sonharam.
E não a alcançarão mesmo!
Por que?
Porque estão no caminho errado, completamente. O pior é que, por não saberem disso, a tragédia se configura, com a humanidade desorientada e aflita persistindo ainda mais no cometimento dos mesmos erros, indo em direção ao caos que, nesse ritmo, talvez ocorra antes da previsão da OMS.
Aliás, você sabe qual é o caminho da felicidade?
Provavelmente, não sabe. E o que você também provavelmente não sabe é que se as pessoas souberem o verdadeiro caminho da felicidade não terão a coragem de percorrê-lo.
Tudo isso serve para evidenciar o paradoxo dos dias atuais no qual, em plena era da informação e do conhecimento em que a humanidade experimenta inúmeras descobertas e avanços científicos, as pessoas nunca souberam tão pouco sobre a vida e sobre si mesmas. E a epidemia do "mal do século" está a demonstrar isso.
Porque felicidade e verdade são situações paradoxalmente contraditórias, atuando em contraposição na dinâmica da vida. Mas, também, é a inexorabilidade da vida que nos impõe o dilema de somente viver a felicidade e a verdade separadamente, nunca concomitantemente.
Assim, se de um lado a busca da verdade proporciona o máximo poder, do lado contrário está a felicidade. Todavia, está claro que a humanidade optou pelo poder, que a era do conhecimento nos proporciona sobejamente. Mas, em contrapartida, está sofrendo a inevitável epidemia do "mal do século".
Se as pessoas querem mudar essa situação e conhecerem o verdadeiro caminho da felicidade precisam saber que ela está na direção oposta. Isto porque a felicidade não está no conhecimento da verdade, mas na total ignorância. Porque só o ignorante é feliz. Para ser feliz é preciso não saber, desconhecer completamente, vivendo no universo onde não há razão, lógica e racionalidade. A ignorância é a única condição em que se alcança e se vive a felicidade.
É por isso que os apaixonados são felizes. Porque estão enlouquecidos de amor, de êxtase e prazer; dominados pela fatídica ignorância da loucura de amar, desafiando o limiar da própria vida. É por isso que os apaixonados são corajosos, não têm medo, lutam bravamente e morrem por suas paixões. Os apaixonados são felizes porque vivem a ignorância. E é por isso que só os ignorantes conseguem se apaixonar.
Viver a vida é decidir um dilema, que consiste em ter que escolher entre alternativas que demandam sempre um ônus fatídico.
Pessoas como você que está sofrendo (ou que ainda vai sofrer) estão vivendo "o mal do século" porque acreditam em solucionar esse dilema sem sofrimento. E é por isso que estão sofrendo.
Então, não tem solução?
É claro que tem!
Porque a excelente notícia é que tudo tem solução.
Afinal, são pessoas como você que está sofrendo (ou que ainda vai sofrer) que são categóricas em afirmar que até a morte tem solução, não é mesmo? Então, sendo assim, tudo tem solução.
Contudo, se você não a encontrar, aceite uma sugestão e seja protagonista da sua própria vida, construindo a sua história por você mesmo. Pois, na pior hipótese, é ainda preferível errar por suas decisões que pela influência alheia.
Vivendo assim, certamente você irá sofrer - e muito. Mas, se tiver inteligência e coragem, conseguirá alcançar a verdade libertadora e o poder de fazer a sua vida acontecer; vivenciando a felicidade arrebatadora, pela sabedoria da ignorância de saber se apaixonar. Por fim, você também se regozijará pelo esplendor de sua vida breve e que passará num olhar, ao contrário de se arrepender pelo desperdício de ter vivido em vão.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O mal do século

Correio Braziliense - 26/07/2011

Estudo da OMS que atualiza dados sobre depressão no planeta mostra que a população de pacientes já bate nos 121 milhões de pessoas. O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking da prevalência da doença em países em desenvolvimento
Paloma Oliveto
Rebeca Ramos
A doença não deixa marcas aparentes, é impossível de ser diagnosticada por exames de imagem e, confundidos com uma tristeza normal, os sintomas podem passar despercebidos. Mesmo assim, a depressão é a quarta principal causa de incapacitação em todo o mundo e, de acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 ela será o mal mais prevalente do planeta, à frente de câncer e de algumas doenças infecciosas. Hoje, segundo um estudo epidemiológico publicado na revista especializada BMC Medicine, 121 milhões de pessoas estão deprimidas. Para se ter uma ideia, é um número quase quatro vezes maior do que o de portadores de HIV/Aids (33 milhões).
Quando considerado um período de 12 meses seguidos, o Brasil lidera, entre os países em desenvolvimento, o ranking mundial de prevalência da depressão: 18% da população que participou da pesquisa estava deprimida há pelo menos um ano. Os dados brasileiros foram retirados do São Paulo Megacity, um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo que avaliou a prevalência de distúrbios psiquiátricos na região metropolitana da cidade, baseado em 5.037 entrevistas.
“O episódio depressivo maior é uma preocupação significativa para a saúde pública em todas as regiões do mundo. Esse é um distúrbio sério e recorrente, ligado a morbidades médicas, à mortalidade e à diminuição da qualidade de vida”, alertam, no estudo, os autores, todos eles colaboradores das pesquisas mundiais da OMS. “A organização projeta que, em 2020, a depressão será a segunda maior causa de incapacitação no mundo.”
Mortalidade
De acordo com a psiquiatra Susan Abram, da Universidade da Carolina do Norte, estudos epidemiológicos são importantes porque trazem o assunto à tona e estimulam o debate sobre a doença. “É preciso educar melhor as pessoas a respeito da depressão e de outros distúrbios de humor. Depressão não é tristeza, é uma doença desafiadora, com taxas de mortalidade maiores que 30%”, diz. A professora adjunta do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Espírito Santo Maria Carmen Viana denuncia que “existe uma desassistência à saúde mental dentro da saúde pública”, e acredita que a divulgação de dados como esses deve servir de alerta a um país. Ao lado de Laura Helena Andrade, da USP, Maria Carmen é a representante no Brasil do grupo de pesquisas de saúde mental da OMS.
A servidora pública Bety*, 46 anos, sofreu com a falta de esclarecimento sobre um mal que a atormenta desde os 14. Na adolescência, ela chegou a ficar internada, mas só aos 28 foi diagnosticada corretamente e, de fato, tratada. “Antes disso, eu fazia terapia e não descobria o porquê de me sentir sempre daquela forma”, conta Bety, que toma medicamentos para dormir, um para ansiedade e outro específico para depressão. “Quando fico em crise, sinto que estou em um palco com as cortinas fechadas. O dia pode estar lindo, mas eu não consigo ver beleza em nada”, descreve.
Já o especialista em informática Fábio, 32 anos, não enfrenta problemas sérios com a depressão desde 2005, quando aliou o uso de medicamentos prescritos à psicoterapia. “Sou outra pessoa. Tomo remédios e não sinto mais aquela dor perturbadora causada pelo cansaço”, conta. Desde criança, Fábio chorava aparentemente sem motivos, se isolava e parecia muito triste, comparado a outras crianças. “Eu passei dois anos fazendo um tratamento que não mudou em nada o quadro da minha depressão”, recorda. Sentido-se profundamente cansado e com crises nervosas que considera acima do normal, ele procurou pela terapia e, enfim, melhorou.
Diferenças
O estudo epidemiológico, realizado sobre dados de 89 mil indivíduos ajustados à população global, encontrou diferenças na incidência da depressão entre os países desenvolvidos e aqueles pobres ou em desenvolvimento. Também houve variações, dependendo do statuas social, do nível de escolaridade e do estado civil. Mas, para os autores, é preciso investigar melhor a relação dos fatores sociodemográficos e a prevalência do distúrbio psiquiátrico, pois, mesmo dentro de um determinado grupo — países ricos ou pessoas separadas, por exemplo —, o padrão variou bastante.
Os autores descobriram que o nível social afeta a incidência da depressão de formas diferentes. Nos países desenvolvidos, os mais pobres apresentavam um risco aproximadamente duas vezes maior de ter a doença. Já nos países em desenvolvimento, não houve diferenças significativas. “As descobertas nos países asiáticos foram mais complexas”, diz o artigo. Na Índia, aqueles com poucos anos de estudo tinham 14 vezes mais chances de ter depressão. No Japão e na China, porém, um padrão inverso foi encontrado: quanto mais anos de educação formal, mais deprimidas eram as pessoas. O mesmo ocorreu em relação ao estado civil. Enquanto que na maioria dos países o fato de estar separado ou divorciado aumentava o risco da depressão, em outros não fazia qualquer diferença.
De acordo com Maria Carmen Viana, as metodologias que investigam a prevalência da depressão foram criadas tendo o Ocidente como referência. Ela explica que em países asiáticos e africanos, os indivíduos podem ter representações sintomáticas diferentes, o que explicaria a baixa prevalência, nesses locais, de episódios depressivos.
O Brasil, embora considerado em desenvolvimento, apresentou índices semelhantes aos do Primeiro Mundo. Maria Carmen Viana afirma que não é possível dizer com certeza os motivos de a prevalência ter sido mais próxima à dos Estados Unidos do que à da Colômbia, por exemplo. Ela lembra, contudo, que a amostra anexada à compilação da OMS representa a população da região metropolitana de São Paulo, e não do país inteiro. “Tínhamos um projeto para investigar o Brasil todo, mas não conseguimos financiamento”, lamenta. “São Paulo tem um perfil diferente, com uma população grande de migrantes, índices maiores de violência e não tem praticamente regiões rurais”, afirma a psiquiatra.
Para Maria Carmen, o fato de o estado ser o mais rico do país, com características semelhantes às de nações desenvolvidas, como melhor nível educacional e forte carga de estresse, não faz de São Paulo uma unidade da Federação mais parecida com nações desenvolvidas do que com o restante do Brasil. “Lá também há muitos bolsões de pobreza”, diz. Para esmiuçar os dados, seriam necessárias pesquisas mais complexas, mas a falta de financiamento no país pode deixar a questão sem resposta.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Decifrar pessoas – as mulheres

Artigo de André Soares - 19/07/2011



Sun Tzu profetizou há mais de 2000 anos, na sua mais renomada obra, “A Arte da Guerra”, que “...se conheceis o inimigo e a si mesmo, não precisais temer o resultado de 100 batalhas...”, demonstrando que a arte de decifrar pessoas é arsenal poderoso, tanto para a arte de viver, como para a arte da guerra. Conhecer o comportamento humano é um desafio permanente, merecendo especial atenção quanto às mulheres, por sua peculiar dificuldade. Desde o pecado de Adão e Eva, ou como deusa do amor imortalizada na Vênus de Milo, a mulher não atuou na história como protagonista principal, mas sim como eminência parda. Nos dias atuais, vivemos a consagração da vitória feminina, cuja estratégia silenciosa ao longo dos tempos conduziu as mulheres à conquista do mundo, conquanto a humanidade ainda não tenha se apercebido disso. Na “guerra dos sexos”, ao contrário, as mulheres nunca perderam, bem como não são sexo frágil, conquanto tenham a habilidade de fazerem crer que sim. A realidade é que as mulheres venceram, dominando a arte de persuadir, sem se revelar. Conhecer, sem ser conhecido. Aplicando magistralmente os ensinamentos de Sun Tzu, e continuando a ser um enigma, especialmente para os homens.
Se você já tentou, certamente fracassou ao decifrar as mulheres. Nada mais lógico e natural quando se tenta desvelar o incognoscível. Afinal, na atual era da informação e do conhecimento em que vivemos, onde estão os conhecimentos científicos sobre as mulheres? Pois, eles praticamente inexistem, embora, em se tratando de mulheres, haja motivos suficientes para imaginar que elas os tenham destruído, sigilosamente.
Todavia, o desafio de decifrar mulheres é mais complexo do que simplesmente estudá-las. Pois, se decifrar pessoas é um exercício psicológico naturalmente inquietante, no caso das mulheres é especialmente perturbador. Essa é a principal razão pela qual se conhece tão pouco sobre elas porque a verdade que dói dificilmente será aceita, principalmente se for estarrecedora. É por isso que a gênese da natureza feminina é desconhecida, inclusive pelas próprias mulheres.
Decifrar pessoas é intrínseco ao autoconhecimento, o qual é muito mais um esforço de coragem que de inteligência. Nesse terreno, conhecer-se é enfrentar o desconhecido de si mesmo, que pode se revelar como algo muito doloroso, por vezes insuportável. Se isso acontece para todos, com as mulheres indubitavelmente é pior.
Contudo, chegamos à conjuntura atual em vertiginosa ascensão científico-tecnológica, mas doentes da crescente epidemia de transtornos mentais do século XXI, já devidamente alardeada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O ser humano nunca esteve tão fragilizado psíquica e emocionalmente e os consultórios psicológicos demonstram isso sobejamente, pois nunca tiveram tantos pacientes, principalmente mulheres.
Portanto, urge conhecê-las, revelar seus segredos e mistérios, alcançar seu espírito, descobrindo e compreendendo porque elas fazem o que fazem e porque são como são.
Mas, qual é o caminho?
Cada um terá que descobri-lo, conquanto poucos o tenham encontrado.
Portanto, aqueles que aceitarem uma sugestão e tiverem o espírito aberto às idéias e ao contraditório, reflitam sobre as idéias inquietantes abaixo, sobre as mulheres.
Depois, encontrem a verdade sobre elas.

As mulheres são inteligentes, mas têm aversão à verdade.
As mulheres choram, mas não sofrem.
As mulheres desejam um mundo de amor e querem amar e ser amadas; mas não morrem de amor, nem morrem por amor.
As mulheres fingem ser enganadas; como ardil para enganar.
As mulheres fazem juras de amor e paixão; mas sucumbem à sua provação.
As mulheres não acreditam e não têm fé; pois não sacrificam suas próprias vidas por nada que não seja em benefício exclusivo de si mesmas.
As mulheres são fúteis; e sabem disso.
Ao lado de um grande homem; há sempre uma grande mulher.

Por derradeiro, seria desnecessário mencionar que "as mulheres são maravilhosas" e que os homens estão condenados a ser seus eternos escravos. Afinal, as mulheres sempre souberam disso, conquanto adorem receber elogios, especialmente os verdadeiros e sinceros, como esse.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Brasil – o melhor país do mundo!


Artigo de André Soares - 18/07/2011


“O Brasil é o melhor país do mundo” é afirmação veemente de uma das maiores autoridades sobre o Brasil – a Rita. A Rita possui notório saber cosmopolita, pois conhece o mundo e o Brasil como poucos. Aliando amplo e profundo conhecimento nacional e internacional, com argumentação lógica e irrefutável, a inteligência privilegiada da Rita desvela uma defesa incondicional do Brasil como sendo verdadeiramente o melhor país do mundo.
Porém, falar mal do Brasil é prática tão consagrada nacionalmente, que a célebre frase “o Brasil não é um país sério”, supostamente atribuída ao presidente francês Charles de Gaulle, ecoou satisfatoriamente muito mais fortemente em solo pátrio que no exterior.
Liberdade de opinião à parte, aquele que discordar que o Brasil é o melhor país do mundo está convidado a uma tarefa impossível – continuar com a mesma opinião depois de conhecer a Rita.
Quem é a Rita?
A Rita é uma brasileira encantadora, lindíssima e irresistivelmente maaaaaravilhosa. Fala fluentemente vários idiomas e é super bem-sucedida profissionalmente. Saiu voluntariamente do Brasil no início da adolescência e, depois de conhecer o mundo, decidiu morar no exterior. Adora vir ao Brasil, mas somente a passeio e para rever seus pais. É casada com um gringo milionário, que fatura rios de dinheiro no Brasil investindo no mercado especulativo nacional, e que também considera o Brasil o melhor país do mundo.
Todas as vezes que nos encontramos, falar das maravilhas do Brasil é sempre a maior alegria e prazer para a Rita e o Tony. E o Tony não se cansa de recomendar aos seus amigos gringos milionários o que mais o encanta no Brasil – as nossas favelas.
Faz questão de falar em seu português limitado:
“As favelas do Brasil são ecccxxxtraordinárias e ineccccxxxsplicáveis

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sorri - Smile

Agentes Secretos II - Sozinho

Autor: Agente Secreto



É!

Doer, sempre dói.

E a cicatriz fica.

É a marca registrada da vida.

Da morte, só restam tristezas.

De um amor, só restam lembranças.

É à noite.

Deitado na cama.

Com os olhos abertos no escuro.

Nos lábios se esconde um sorriso.

Que se afoga em lágrimas de um pranto.

Choro a angústia dessas noites.

Mas, talvez chore a tristeza de ser só.

Não que me falte amor e carinho.

Mas, por suportar a cruz de ser sozinho.

domingo, 19 de junho de 2011

Quando a Justiça fortalece a democracia


[Editorial do jornal O Globo, publicado na edição deste domingo, 19 de junho de 2011.]
Houve quem pensasse, na fase da ditadura militar, que, com a redemocratização, os problemas do país seriam resolvidos quase que por gravidade. Não foi assim, e nunca seria, embora o resgate dos direitos civis, da liberdade no sentido amplo permitisse à sociedade se organizar em torno de um projeto de nação e debatê-lo constantemente, melhor forma de poder aperfeiçoá-lo. O próprio Estado de Direito democrático precisa ser fortalecido pelo exercício de prerrogativas fundamentais inscritas na Constituição. Não é tarefa simples num país que só a partir da penúltima década do século passado tem conseguido se manter por mais de duas décadas ininterruptas sem apagões institucionais. Esta construção perene da democracia reserva papel estratégico ao Poder Judiciário. Nele vão parar conflitos que permitem aos tribunais delimitar os espaços privados protegidos da ingerência do Estado, uma das essências da democracia. Nos regimes autoritários, o Estado, sob o controle de esquemas cesaristas, tripulado por salvadores da pátria, tende a eliminar a possibilidade do livre arbítrio. É preciso analisar neste contexto decisões recentes da Justiça, entendidas, de maneira equivocada, como de proteção a corruptos e criminosos de colarinho branco em geral.
Foram elas: a anulação de provas obtidas pela Polícia Federal na Operação Castelo de Areia, executada a partir de 2008 para investigar a participação de diretores da empreiteira Camargo Corrêa em operações de evasão de divisas e financiamentos ilegais de campanhas políticas; e idêntica decisão sobre outra operação da PF, a Satiagraha, cujas provas fundamentaram processo contra o banqueiro Daniel Dantas. Ambas decisões tomadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nas duas investigações, agentes públicos usaram o poder de Estado para produzir provas sem respeitar ritos, normas, leis, direitos constitucionais dos investigados. No caso da Castelo de Areia, grampos telefônicos foram autorizados em instâncias iniciais da Justiça com base em denúncias anônimas. Como gravações telefônicas e vigilância eletrônica invadem de forma direta a privacidade, elas só podem ser liberadas de forma muito criteriosa. Não como aconteceu. A posição do STJ tem sua importância ampliada pelo fato de grampos, pela banalização, terem virado quase o único instrumento de investigação policial.
Na Satiagraha, conduzida pelo delegado Protógenes Queiroz — ele soube surfar a popularidade e ganhar um assento na Câmara dos Deputados pelo PCdoB de São Paulo —,houve uma articulação entre ele, um juiz então de primeira instância, Fausto De Sanctis, e o Ministério Público, numa espécie de cruzada contra Daniel Dantas, entre outros. Bem na filosofia dos "fins que justificam os meios", para processar e condenar investigados, o grupo chegou a contar com arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em ações clandestinas. A Satiagraha não poderia mesmo ser aceita em cortes superiores. Nos dois veredictos, a democracia saiu fortalecida. Não importam as folhas corridas e prontuários de investigados. Impossível é admitir no Estado de Direito tribunais de exceção, o uso da máquina do Estado para perseguir adversários, aberrações deste tipo. Mais ainda num país em que o Estado já tem uma presença opressiva sobre a sociedade. Os meios são tão importantes quanto os fins.

sábado, 18 de junho de 2011

As Forças Armadas brasileiras


Artigo de André Soares – 18/06/2011



"Si vis pacem, para bellum” é uma antiga e sábia expressão latina que significa “se queres a paz, prepara-te para a guerra" – porque ela sempre vem. Infelizmente, nossos governantes ao longo da nossa história se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, como se essa fosse uma decisão exclusivamente unilateral. Se por um lado o Brasil se orgulha de ser um país pacifista, de honrar os lemas “ordem e progresso” da sua bandeira nacional e de se tornar uma potência mundial, por outro lado se esquece que a soberania nacional tem um elevado custo e a história demonstra que o povo que não estiver disposto a lutar pela sua paz, não a merece.
Desde o término da guerra do Paraguai (1870), o destino nos tem proporcionado o usufruto de um período sem guerras, que estamos retribuindo com a ingratidão de lançarmos nossas Forças Armadas ao ostracismo operacional. Nesse interregno, tivemos na segunda guerra mundial um vergonhoso episódio do despreparo militar nacional, pois a participação da nossa Força Expedicionária Brasileira (FEB) naquele conflito armado foi salva exclusivamente pela bravura e heroísmo dos nossos pracinhas. Entretanto, se são eles os únicos brasileiros em mais de 100 anos que realmente combateram na guerra em defesa do país, hoje não recebem sequer a devida reverência da pátria amada.
Atualmente, sob o ponto de vista de emprego militar para a defesa nacional, as Forças Armadas brasileiras são não operacionais. Isto significa que são capazes de lutar, mas não de vencer, porque tropas operacionais são forjadas nas lides do emprego em combate e não dentro dos quartéis. Esse é o contexto das Forças Armadas brasileiras, cuja situação é idêntica ao cirurgião que nunca operou, ao engenheiro que nunca construiu, e pior, ao militar que nunca combateu, pois os nossos atuais comandantes militares, em suas longas carreiras profissionais, sequer viveram o “bom combate” como os nossos queridos e corajosos pracinhas, conquanto ostentem medalhas, muitas medalhas.
Inúmeros são os problemas desse quadro de falência múltipla como: destinação às Forças Armadas de ínfimos recursos orçamentários, majoritariamente empregados em despesas com pessoal e custeio; política nacional de defesa historicamente desencontrada e retórica; defasagem doutrinária de emprego militar; sucateamento do arsenal e indústria bélicos; crescente defasagem e dependência tecnológicas; obscuridade nos gastos com aquisição de equipamentos militares exclusivamente à mercê de critérios políticos e personalistas; deficiências de integração tático-operacional no emprego em conjunto dos elementos de combate das três Forças (Marinha Exército e Aeronáutica); desvio funcional e priorização de atividades subsidiárias em detrimento das operacionais; cultura de valorização da atividade-meio e esvaziamento da atividade-fim; poder militar nacional superdimensionado, estruturado exclusivamente em ilhas de excelência das Forças Armadas; grave evasão, notadamente dos quadros de oficiais; e fuga da carreira militar por parte dos jovens brasileiros promissores que, embora vocacionados, acertadamente não se submetem a uma vida indigna de baixos vencimentos.
Essa conjuntura de flagrante vulnerabilidade do poder militar do país, além de comprometer a soberania nacional, inviabiliza a pretensão internacional dos nossos governantes de levar o Brasil a conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU, como membro permanente. Pura ingenuidade imaginar que o seleto grupo das maiores potências bélicas do mundo (China, França, Rússia, Reino Unido e EUA), aceitará o ingresso de um membro com poder militar não-operacional, como o Brasil.
A comemorar, apenas o patriotismo exacerbado dos militares brasileiros, submetidos aos imperativos de uma vida totalizante, de renúncia e dedicação exclusiva ao país, embora marcada por indesejáveis privações impostas à família militar. Portanto, há muito por fazer, a começar pela rediscussão do papel constitucional das Forças Armadas brasileiras e do assistencialista serviço militar obrigatório, pois guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por Forças Armadas profissionais e operacionais.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Descriminalização e liberalização das drogas no Brasil

Artigo de André Soares – 16/06/2011

Você quer se matar? Então, se mate! É um direito seu. Fique à vontade para fazer o que bem entender da sua vida. Porque ela é toda sua. Contudo, o que você não tem direito é fazer apologia a que outras pessoas prejudiquem suas vidas, a exemplo de você. Nesse sentido, a descriminalização e liberalização das drogas são questões permanentes e polêmicas, embora não sejam complexas como se imagina. Todavia, a principal questão que você deveria investigar é o porquê do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, repentinamente, ter se tornado o “garoto-propaganda” de uma campanha em favor da descriminalização da maconha no Brasil, com tantas outras temáticas muito mais urgentes e relevantes para a conjuntura nacional, a serem encampadas por estadistas da estatura de ex-presidentes.
Quanto à problemática das drogas sejamos breves:
“Por que há drogas lícitas e ilícitas, em todo o mundo?” Ou seja, “por que algumas drogas podem e outras não podem, já que tanto drogas lícitas e ilícitas fazem mal à saúde?”
Simples:
Porque os estados não podem tudo. Aliás, os estados podem muito pouco. E uma das coisas que nenhum estado pode é conter a sociedade que o legitima. Portanto, as drogas ilícitas são as que o estado consegue proibir e as lícitas as que não consegue, simplesmente porque é impotente para fazê-lo.
Quanto ao repentino empenho pessoal do nosso ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em defesa da descriminalização da maconha no Brasil, com evidente estardalhaço na mídia nacional e internacional, o motivo é bem menos altruísta, porém politicamente obscuro.
Quer saber o porquê?
É o mesmo porquê que o ex-presidente Bill Clinton está fazendo a mesma campanha e o mesmo porquê que o quase ex-presidente All Gore está fazendo campanha semelhante pela salvação do meio ambiente.
O que está por trás de tudo isso?
Se você souber a verdade, provavelmente não irá acreditar.
Então, talvez seja melhor você fingir não estar sofrendo uma manipulação internacional e comemorar com sua família, seus amigos e a sociedade, a “doideira” da democracia brasileira, curtindo o “barato” da dominação, fumando seus “baseados” de maconha.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mitos e verdades sobre a atividade de inteligência no Brasil


Artigo de André Soares
Pubicado no Jornal do Brasil - 15/06/2011

Muitas pessoas têm interesse pela denominada atividade de inteligência, influenciadas principalmente pelas histórias e filmes de espionagem. Particularmente no Brasil, há dificuldades intransponíveis em se obter informações fidedignas sobre esse ofício, em razão da desinformação produzida pelos órgãos oficiais. Significa não haver credibilidade nessas versões, razão pela qual a sociedade brasileira precisa conhecer a verdade sobre essa realidade, para o pleno exercício da cidadania e para que os brasileiros não comprometam suas vidas investindo nessa obscuridade, inadvertidamente.
Sobre a história da Inteligência de Estado no Brasil, o Serviço Nacional de Informações (SNI), criado em 1967, foi o único e breve suspiro auspicioso. Até degenerar-se e sucumbir. Sua sucedânea, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), foi criada pela lei 9883, de 07 de dezembro de 1999, predestinada aos mesmos desígnios do SNI. Assim, seu inevitável destino conduziu o Brasil à maior e pior crise institucional de inteligência que vivenciamos na atualidade, desvelada em 2008 no festival de clandestinidades protagonizadas pela ABIN na Operação Satiagraha, recentemente condenadas em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Financeiramente, a atividade de inteligência não é lucrativa em nenhum lugar do mundo. E qualquer notícia de empresa ou empresário milionário nesse ramo, certamente não será o que parece. O ingresso em serviços de inteligência no Brasil pode ser realizado na ABIN, por concurso público; ou nas instituições públicas mais tradicionais, por indicação política. No segundo caso, é importante ressaltar que há raras estruturas de inteligência eficientes no país e as melhores estão nas forças armadas.
Contudo, a principal motivação por essa atividade é o desejo de ser agente secreto. Nesse mister, a boa notícia é que agentes secretos existem de fato. A má é que o Brasil não os possui em seus serviços de inteligência. Essa é perfídia plantada no seio da sociedade, enganando muitos jovens brasileiros, homens e mulheres, incitados ao concurso público para ingresso na ABIN, esperançosos de viver uma carreira profissional de agentes secretos. Portanto, a melhor garantia e possibilidade que há em integrar os quadros de serviços de inteligência no Brasil é a de se tornar um excelente servidor público burocrata.
Enfatiza-se que a atividade de inteligência não é profissão reconhecida oficialmente no país, estando muito aquém de alcançar o mérito dessa condição. Porque, principalmente, não há arcabouço de expertise própria consolidada e validada cientificamente no Brasil, cujo diletantismo com que é exercida é uma das causas da atual crise nacional.
Não por acaso, a verdade que nossos governantes não revelam é que os conhecimentos provenientes da inteligência nacional são majoritariamente de baixa credibilidade. Essa situação é agravada pela sua desorientação e falta de identidade, produzindo informações de mesma natureza e em duplicidade com as instituições legitimamente competentes, em sobreposição e interferência indevidas.
Tal impropriedade decorre do grave atentado contra o estado, cometido por nossas autoridades públicas, contrariando a verdade inconteste que a atividade-fim da Inteligência de Estado é expertise operacional do sigilo. Esta é atividade afeta à ação e emprego dos agentes secretos, constituindo-se na única razão de ser e existir dos serviços de inteligência, em todo o mundo. Infelizmente, o que há no país é uma legião de arapongas e agentes clandestinos, os quais são muitas vezes forjados em nossas organizações de inteligência.
A gravidade da conjuntura atual é ainda mais alarmante porque como a ABIN é o órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) sua ascendência e influência sobre as demais estruturas de inteligência nacionais são inescapáveis, generalizando a ineficiência institucional dessa atividade. Ressalta-se o total descontrole do estado brasileiro sobre a atuação dos órgãos de inteligência nacionais, os quais constituem uma "caixa-preta" invencível, dominada pela obscura e autofágica “comunidade de inteligência”, cuja fúria nossos governantes temem desafiar. O cenário prospectivo é pessimista porque o Brasil não possui há décadas uma Política Nacional de Inteligência e as autoridades nacionais demonstram sobejamente a incapacidade de salvar o país desse lamentável estado de coisas a que chegou a Inteligência de Estado nacional.

Sigilo eterno é inconstitucional, diz Gurgel

Folha de São Paulo

Procurador-geral indica que recorrerá ao STF caso o Senado mantenha o segredo sobre documentos históricos
Chefe do Ministério Público promete tomar "todas as providências" para garantir a abertura dos arquivos secretos
BERNARDO MELLO FRANCO

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, indicou ontem que recorrerá ao STF (Supremo Tribunal Federal) caso o Senado mantenha o sigilo eterno sobre documentos oficiais.
Ele afirmou que qualquer barreira contra o direito à informação pública é inconstitucional e disse não ver motivo para que papéis históricos permaneçam em segredo.
"O direito à verdade é um direito fundamental. Qualquer iniciativa que busque afastá-lo tem deficit de constitucionalidade", afirmou.
"O Ministério Público vai fazer tudo para assegurar que o direito à verdade seja plenamente exercido. Tomaremos todas as providências para que isso seja efetivado."
Gurgel informou que vai esperar que o Senado vote o projeto sobre a reclassificação dos papéis oficiais para decidir se recorre ao STF.
Ele ressaltou que o projeto aprovado na Câmara, que limita o sigilo sobre os documentos considerados ultrassecretos a 50 anos, não prejudica ações do governo ou da diplomacia brasileira.
O ex-ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) afirmou que o sigilo eterno é inconstitucional e que um eventual recuo na abertura dos papéis seria "uma vergonha para o Parlamento".
"É inaceitável. Não tem o menor cabimento manter em sigilo documentos da Guerra do Paraguai ou do tempo do Barão do Rio Branco", disse.
Ele criticou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que pressiona o Planalto contra a abertura indiscriminada dos arquivos.
"É marca do passado ditatorial de pessoas que não conseguiram fazer a transição para a democracia."
Ontem, o Ministério Público promoveu ato em São Paulo para comemorar a repatriação dos arquivos do projeto "Brasil Nunca Mais", que estavam nos EUA desde o fim da ditadura militar.
O acervo reúne depoimentos de ex-presos políticos e identifica agentes que praticavam tortura. As informações serão digitalizadas e devem ser usadas pela futura Comissão da Verdade para investigar crimes cometidos durante o regime.

Governo demite araponga suspeito

Cláudio Humberto
 
Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general José Elito Carvalho Siqueira julgou "culpado" Jarbas Marcílio Leventi, oficial de Inteligência da Abin, órgão de arapongagem do governo, e o demitiu "por valer-se do cargo para lograr proveito pessoal". O dinheiro afanado era público, mas o ministro alegou a "natureza reservada" do caso para silenciar. Mandou dizer que isso interessa apenas às partes envolvidas.

Público e privado O araponga é natural de Mato Grosso, andou gastando demais em Brasília e é acusado de misturar dinheiro pessoal com o de serviço.

Ruim a gente esconde O general José Elito mantém sigilo sobre o caso do araponga demitido dizendo atender a uma orientação da Controladoria-Geral da União.

Lorota do GSI A CGU informou que processos administrativos disciplinares são reservados apenas em sua fase de instrução, até o julgamento.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A Abin e a Satiagraha

Artigo de André Soares - 14/06/2011



A recente condenação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o festival de clandestinidades protagonizadas e acobertadas pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), na Operação “Satiagraha”, em 2008, onde atuaram uma centena de seus agentes, levando o então presidente Lula a afastar imediatamente o seu Diretor-Geral, Paulo Lacerda, e toda a cúpula da ABIN, desvelando a maior e pior crise institucional de inteligência de nossa história; revela não apenas a gravidade da ilegalidade das ações cometidas pela ABIN contra o próprio estado brasileiro, o qual deveria defender, como principalmente o seu preocupante desvirtuamento ético-moral. Porque, não bastasse a condenação judicial do estado contra a sua atuação vergonhosa e abjeta, verifica-se que recrudesce em setores da ABIN o vigor dessa mentalidade deturpada, deformada e criminosa.
O que deve fazer um integrante de serviço de inteligência que toma conhecimento de irregularidades e crimes que estão sendo cometidos internamente pelos dirigentes desse serviço contra a sociedade e o estado; e que estão sendo acobertados sob o manto do sigilo legal?
Pois, mais de uma centena de integrantes da ABIN, que viveram esse desvirtuamento na Operação Satiagraha nada fizeram. Ao contrário, as apurações da 'Satiagraha' expuseram à sociedade as ações praticadas pelos agentes da Abin, que durante meses agiram clandestinamente; em promiscuidade com ex-agentes; sem controle; ferindo de morte a doutrina de inteligência; à revelia da legalidade; a serviço de interesses personalistas e escusos; atentando contra o próprio Estado; e confiantes na mais completa impunidade, certos de se esconderem sob o manto do sigilo institucional. Não fosse o acaso de terem sido descobertos, sabe-se lá que prejuízos mais teriam sido causados ao país; pois, dentre todos esses homens e mulheres da ABIN, não houve sequer um(a) honrado(a) e corajoso(a) cidadão(ã) a denunciar esse estado de coisas. Mais estarrecedor é que quando chamados à responsabilidade nas investigações da PF e da CPI seus dirigentes mentiram à nação brasileira, a começar pelo dirigente máximo da ABIN.
Essa não é uma questão afeta meramente à consciência pessoal e de foro íntimo. Não há nem mesmo qualquer dilema a ser analisado, que supostamente justificaria um conflito de ordem filosófica. Essa é uma questão extremamente simples e objetiva, pois trata-se unicamente do respeito à legalidade, ao Estado democrático de Direito desse país e, principalmente, do cumprimento da nossa Constituição Federal, aos quais todos os brasileiros e brasileiras estão obrigados por dever de cidadania.
O que deve fazer um operador de inteligência nessas circunstâncias? A resposta já foi há muito proferida nas sábias palavras do coronel Walther Nicolai, chefe do serviço de inteligência do chanceler Bismarck, que declarou:
"A Inteligência é um apanágio dos nobres; confiada a outros, desmorona".
Sempre desmorona, pois somente os dotados de inabalável fortaleza ética e moral, cujo perfil se caracteriza sobretudo pelo exemplo, são dignos para o exercício da Inteligência.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Maus presságios para o Brasil

Artigo de André Soares - 13/06/2011

Ela não está feliz

Que ela não está feliz é mais que evidente.

Não se trata de uma constatação episódica, mas permanente. Principalmente, porque ela não está feliz, quando mais deveria estar. Pois, ela está vivendo a vitória pessoal de toda a sua vida, conquistada com muito sangue derramado em décadas de luta política no Brasil.

E isso é preocupante porque significa que algo não vai bem com ela.

E se algo não vai bem com ela, significa que é ruim também para o Brasil.

Fórum da Inteligência

Este é um espaço destinado ao debate e à manifestação democrática, livre, coerente e responsável de idéias sobre Inteligência.