quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nova distribuição da pesquisa no Brasil

Folha de São Paulo 26/08/09
O mais recente censo da produção científica no país confirma a tendência de crescimento no número de estudos realizados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste


O mapa da produção científica brasileira está mudando. Segundo o mais recente censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, ligado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre 2006 e 2008, houve um crescimento no número de pesquisas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o que aponta uma descentralização da produção do conhecimento. A participação conjunta das três regiões, em relação a 2006, passou de 26% para 28% (ver gráfico ao lado). Em 1993, quando o levantamento começou a ser feito, o Sudeste detinha 68,5% dos grupos de pesquisa registrados. Em 2008, esse índice caiu para 48,8%.

O diretor de Programas Horizontais e Instrumentais do CNPq, José Roberto Drugowich, explica que essa tendência se deve ao fato de que, no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os investimentos ocorreram mais tarde. “Por determinação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o CNPq tem destinado, nos últimos anos, um mínimo de 30% dos recursos para projetos dessas três regiões. Com isso, temos garantido a expansão dos grupos de pesquisa nesses locais, sem deixar de ampliar o investimento nos grupos de excelência das regiões Sul e Sudeste, muitos dos quais têm hoje nível internacional.”

Já o Distrito Federal, representado pelas Universidades de Brasília (UnB) e Católica (UCB), perdeu posições no ranking: caiu do nono lugar, em 2006, para o 12º, em 2008. Apesar da queda, a UnB apresentou aumento no número de grupos de pesquisas, pesquisadores e doutores. Já a UCB amarga com a perda no número de projetos, assim como no de pesquisadores e doutores. A professora Adelaide Figueiredo, pró-reitora de pós-graduação e pesquisa da Católica, justifica o desempenho mais fraco em função da Reestruturação e Expansão das Universidades Pública Federais (Reuni), que abriu vagas nas instituições federais. “Muitos dos nossos doutores e pesquisadores fizeram concurso e optaram pelas universidades públicas”, diz.



Mulheres

Outro dado que demonstra a mudança no cenário do conhecimento é o aumento de pesquisadoras. De acordo com o censo 2008, as mulheres já são 51% dos cientistas envolvidos em pesquisas. Para ser ter uma ideia, em 1993, para cada grupo de 100 pesquisadores, apenas 39 eram mulheres.

O censo é uma espécie de radiografia atualizada da ciência brasileira, elaborado a partir de informações dos grupos de pesquisa, sua distribuição geográfica, linhas de pesquisa, bem como a produção científica, tecnológica e artística dos pesquisadores e estudantes. Esse mapeamento é feito a cada dois anos, por meio do Diretório dos Grupos de Pesquisa, onde está representada a comunidade científica.

Os dados sobre os recursos humanos que constituem os grupos, linhas de pesquisa, especialidades do conhecimento, setores de atividade, produção de C&T e padrões de interação dos grupos com o setor produtivo ficam armazenados nesse diretório. Quando o censo é realizado, toda a comunidade científica cadastrada é convocada a atualizar as informações, que são processadas e apresentadas. Ao fim, isso mostra um panorama sobre a capacidade de pesquisa no Brasil.

Participaram do censo 2008 422 instituições, registrando 22.797 grupos de pesquisas, compostos por mais de 104 mil pesquisadores, sendo 66.785 doutores (60% do total). Em relação às linhas de pesquisas, 86.075 foram registradas, quase 10 mil a mais que as registradas no levantamento de 2006. As áreas de medicina, educação e agronomia continuam sendo as três maiores em número de linhas de pesquisas. Já as engenharias, as ciências da computação e as humanas foram as que tiveram maior número de pesquisas.

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